sábado, janeiro 27, 2007

de volta

Depois de alguns meses afastado do mundo virtual, em razão do esgotamento de fim-de-ano, quando qualquer coisinha parece uma tarefa insuportável, e por ter esquecido o login do blog, volto a comentar alguns assuntos com um certo atrevimento de quem se propõe a analisá-los.
As últimas postagens foram muito influenciados pelo clima da campanha eleitoral e como a neutralidade é uma ilusão (ainda bastante em alta, principalmente no meio jurídico e jornalístico) preferi dar um tempo até que pudesse escrever com o distanciamento possível das minhas paixões e mais próximo da imparcialidade da análise.
Durante esse tempo alguns fatos merecem destaque. Vou comentá-los retrospectiva e resumidamente:
1 - A reeleição do Presidente Lula: prevaleceu a dubiedade sobre a candidatura Alckmin (Sr. Hyde x Dr. Jekyll) e o candidato tucano amargou uma derrota maior de que no primeiro turno. Lula conseguiu enfrentar o denuncismo de grande parte da mídia e o povo (assunto que merecerá um post, em breve) o reelegeu com mais de 58 milhões de votos. Não foi só isso, venceu um discurso político que trouxe para o topo da agenda nacional temas que haviam sido afastados pelo hipertrofismo da entidade Mercado como crescimento econômico, diminuição das desigualdades sociais, política econômica. Enfim, parece que o enclausuramento imposto na última década pelos çábios da ekipeconômica (expressões muito felizes de Elio Gaspari) e pelos globetroters do financismo internacional enfraqueceu-se e ventos democráticos começaram a soprar em favor da soberania popular.
2 - Bodas de São Bernardo do Campo: a aproximação do PT com o PMDB, muito em razão da derrota nas urnas da ala oposicionista que há anos caminhava abraçada com o PSDB, trouxe maiores possibilidades de construção de uma base parlamentar mais sólida para o novo mandato petista. Todavia, isso não significa mais facilidade, pelo contrário, o governo terá muitas dificuldades para construir a tão sonhada coalizão. Um exemplo claro está na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e o surgimento de um bloco parlamentar encabeçado pelo PSB. De qualquer forma, maior estabilidade política é o que se pode observar no horizonte político do Planalto Central.
3 - O fim do PFL: as derrotas amargadas pelo PFL de Bornhausen e ACM apontam para a necessidade de novos rumos. Que rumos? Os de César Maia e seu little boy? Ou os do ACMNeto? Os do Paulinho? Penso que os rumos do antigo PDS serão outros. Desfiliações de deputados, senadores, prefeitos que correrão para os partidos nanicos da base aliada ou outros partidos com maior expressão nacional. O último apague a luz e feche a porta.
4 - Internacional Sport Club campeão mundial de futebol!: só esqueçeram de avisar a imprensa paulista e carioca que o Inter era brasileiro e merecia o mesmo tratamento que São Paulo e Flamengo tiveram quando se sagram campeões no Japão. Além da incontestável vitória no campo, o Colorado gaúcho foi vitorioso também fora dele com a administração implementada nos últimos anos que primou pelo fortalecimento e favorecimento dos sócios fiéis aos jogos do time, bem como o cuidado especial com as categorias de base (reveladoras de talentos como o atacante Alexandre Pato) e a aposta no financiamento de boa parte dos gastos do clube com a grande quantidade de sócios-torcedores que poderá alcançar o número extremamente significativo de 40 mil este ano.
Foi isso, então.
Um bom ano pra todos nós!

2 comentários:

Geyson Gonçalves disse...

De Bortoli,
Algumas considerações sobre suas análises em relação ao PFL e ao título do Internacional:
1. Não acredito em desaparecimento do PFL, mesmo com a derrota dos antigos caçiques. A "direita" no Brasil sempre esteve articulada em partidos políticos e não creio que o PSDB ou o PMDB possam aglutinar (oficialmente) os quadros do PFL. Portanto, apesar de tudo (e infelizmente) vejo vida longa para o ARENA/PDS/PFL).
2. O título do Internacional teve o merecido destaque da imprensa nacional. O que é importante frisar é que o Inter não é um time de torcida nacional (como os referidos Flamengo e São Paulo) e por isso o interesse não é o mesmo. Se um dia (improvável) o Palmeiras for campeão do mundo terá maior destaque na imprensa do que o Fortaleza, por ter maior torcida, mesmo que os méritos do tricolor cearense sejam (por óbvio) maiores.

Adriano De Bortoli disse...

Geyson,
concordo que a direita não desaparecerá do cenário político, mas como vc mesmo observou a ARENA teve de virar PDS, que por sua vez virou PFL. Talvez seja a hora de nova transmutação.
O Palmeiras já foi campeão do mundo e de um campeonato muito mais disputado do que a copa toyota. É bom lembrar também que as grandes torcidas nacionais só foram possíveis pela massificação feita pela mídia. O que não ocorre com times como o Fortaleza, por mais que se acredite nos méritos que o futebol disputado no castelão tenha.