domingo, março 25, 2007

Entrevista de Franklin Martins

Vale a pena a leitura da entrevista que o respeitado jornalista e futuro ministro Franklin Martins concedeu ontem ao jornal Folha de São Paulo. O novo ministério será responsável, entre outras coisas, pela criação de uma rede pública de televisão, nos moldes da BBC britânica. Vejam um trecho da entrevista:

"Folha - O manifesto dos seqüestradores do embaixador falava em matar carrascos e torturadores do regime militar. O que acha disso hoje?

Franklin - Fica difícil discutir porque hoje não existe uma polícia como um instrumento de opressão política do Estado sobre as pessoas. Hoje, as pessoas fazem oposição livremente, falam livremente. Naquele época, quem fizesse oposição ao regime estava sob o risco de ser preso, torturado e morto. Eram outras circunstâncias, circunstâncias de guerra.Com todas as suas diferentes nuances, o povo brasileiro superou a ditadura militar. Participei das manifestações estudantis de 1968 que praticamente inviabilizaram o modelo de ditadura que eles tinham. Então, partiram para o terrorismo de Estado aberto. Em 1974, a vitória do MDB, inviabilizou o terrorismo de Estado. As diretas, em 1984, inviabilizaram a distensão que pretendia manter uma ditadura sob controle. Estive do lado certo. Tenho o maior orgulho de ter lutado. Tenho um certo pudor de bater no peito e ficar proclamando, parece que estou contando vantagem.Tenho o maior orgulho de ter lutado contra a ditadura. Posso contar tudo o que fiz, inclusive os meus erros, para os meus filhos, os meus netos, discutir abertamente na sociedade.Os que estiveram do outro lado não podem. Vivi na clandestinidade cinco anos e meio. Vivi cinco anos e meio no exílio. No entanto, não vivo mais na clandestinidade. Muita gente que torturou e matou é clandestina até hoje, até para a sua família."

Para ler a entrevista na íntegra, acesse o sítio de Franklin Martins.

2 comentários:

Nördlich disse...

Vale retificar que a rede de televisão que o governo federal propõe não será nos moldes da BBC. Na Grã-Bretanha a BBC é uma emissora estatal, sem vínculos partidários. A proposta do governo (cada vez mais imitando o camarada Chavez) é que a essa rede televisiva seja vinculada ao governo, ou seja, mídia chapa-branca para empregar os membros do partidão.

Cláudio Ladeira disse...

Caro Nördlich, desculpe mas a rede de televisão que o governo federal propõe É sim similar à experiência da BBC britânica. Pelo menos todas as informações divulgadas até o momento apontam neste sentido. Aliás, poderíamos também dizer, baseada nos moldes da televisão do estado de São Paulo, cujo governo é tucano há um bom tempo. Pronto, agora pode? Rejeitar sequer a hipótese de discutir uma tal rede de comunicação por ser o presidente eleito petista e aceitar a mesma hipótese no caso de governos estaduais tucanos é um pouco, digamos, unilateral, não acha?