quinta-feira, maio 03, 2007

Sujeira debaixo do tapete: Operação Moeda Verde da PF prende 17 pessoas em Florianópolis


Diversas pessoas, entre elas servidores públicos e até vereadores, são acusados de vender ou intermediar a venda de licenças ambientais na Ilha

Já se comentou aqui no Civitates (leia) sobre a ocupação desmedida e abusiva dos espaços públicos e de preservação em Florianópolis.

Há muito tempo quem mora ou morou na Ilha ouve falar, à boca pequena, de venda de licenças ambientais, ou de áreas que, anteriormente de preservação, subitamente são ocupadas por um condomínio de luxo, um shopping, ou algo que o valha, com autorização dos órgãos públicos, leis casuísticas aprovadas na Câmara de Vereadores, etc.

Pois a Polícia Federal prendeu nessa madrugada diversas pessoas acusadas de envolvimento na negociação da venda de licenças ambientais (leia aqui). Sem que se precise condenar alguém antes de julgado, é um alento saber que, finalmente, alguém (leia-se Polícia Federal, Justiça Federal, Ministério Público Federal, todos muito atuantes), volta os olhos para a preservação da tão querida Ilha de Santa Catarina, e busca averiguar a veracidade de tais comentários.

Nesta manhã a Polícia Federal cumpriu 17 dos 22 mandados de prisão temporária emitidos pelo Juiz Zenildo Boadnar (Vara Federal Ambiental de Florianópolis) em inquérito que investiga um esquema de venda de leis e atos administrativos de conteúdo ambiental e urbanístico, em favor de grandes empreendimentos na Ilha de Santa Catarina.

Leia a nota à imprensa da Polícia Federal:


"Por determinação da Justiça Federal, policiais federais começaram a cumprir hoje mandados de prisão temporária contra várias pessoas e de busca e apreensão em órgãos públicos, empresas e residências, expedidos em inquérito que investiga a existência de um esquema de venda de leis e atos administrativos de conteúdo ambiental e urbanístico, em favor de grandes empreendimentos na Ilha de Santa Catarina.
Os mandados foram expedidos por ordem do juiz Zenildo Bodnar, da Vara Federal Ambiental de Florianópolis, que determinou as medidas de prisão e busca e apreensão por considerá-las necessárias à eficácia das investigações e sobretudo para preservar as eventuais provas a serem obtidas.
A operação da Polícia Federal, denominada Moeda Verde, investiga a ocorrência de crimes contra a ordem tributária, falsificação de documento, uso de documento falso, formação de quadrilha, corrupção e tráfico de influência. As prisões temporárias (22 mandados), que começaram a ser efetuadas durante a madrugada, foram decretadas contra vereadores de Florianópolis, servidores públicos e empresários, entre outros.
As buscas e apreensões devem ser feitas na Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos de Florianópolis (Susp), no Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, na Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), na Fundação do Meio Ambiente (Fatma), em escritórios de empresas e residências.
Na decisão, o juiz Zenildo Bodnar deixa claro que as prisões não implicam juízo de valor sobre a culpa ou inocência dos envolvidos, a serem devidamente apuradas no curso regular do processo, com respeito ao direito à ampla defesa.
"


Veja aqui a lista dos políticos, empresários e servidores públicos presos pela Polícia Federal (fonte: Diário Catarinense):


Juarez Silveira (vereador)
André Luiz Dadam (servidor da Fatma)
Hélio Scheffel Chevarria (grupo Habitasul)
Fernando Tadeu Soledade Habckost (grupo Habitasul)
Renato Juceli de Souza (Susp)
Marcelo Vieira Nascimento (Floram)
Rubens Bazzo (Susp)
Francisco Rzatki (Floram)
Péricles de Freitas Druk (grupo Habitasul)
Fernando Marcondes de Mattos (Costão do Santinho)
Amílcar Lebarbechon da Silveira (restaurante do Amílcar)
Paulo Cezar Maciel da Silva (shopping Iguatemi)
Gilson Junckes (hospital Vita)
Rodrigo Bleyer Bazzo (filho de Rubens Bazzo)
Marcílio Guilherme Ávila (vereador eleito e atualmente presidente da Santur)
Percy Haensch (Colégio Energia)
Margarida Emília Milani de Quadros
Aurélio de Castro Remor (secretário de Obras de Florianópolis)
Paulo Toniolo Júnior
Itanoir Cláudio (chefe de gabinete de Juarez Silveira)
Sérgio Lima de Almeida
Aurélio Paladini


CURIOSIDADE: Vereador Juarez Silveira é preso pela segunda vez e novamente alega problemas de saúde

O Vereador Juarez Silveira já havia sido preso antes, acusado de contrabando de bebidas alcoólicas (leia na FolhaOnline) e, novamente, alegou problemas de saúde para tentar evitar o xilindró - ou, sei lá, vai ver o Vereador tem alguma espécie de doença alérgica que somente se manifesta na iminência da presença das grades...

3 comentários:

André Gelsleichter disse...

Que seja o ponta-pé inicial para uma reestruturação da Administração Pública municipal e estadual. Ficamos boquiabertos ao vermos os grandes empresários e políticos da capital sendo presos, porém, a "faxina" deve acontecer também nos baixos escalões aonde começa a corrupção e aonde aparecem mais culpados (bodes expiatórios).
Punição sim, e não à hipocrisia que se vê em alguns comentários de que a "modernização" e o "crescimento" da cidade trazem benefícios e impedem o desenvolvimento de favelas e áreas suburbanas, mesmo tendo-se que pagar com outras moedas.

Maria disse...

Pois é, meus caros, e isso porquê vocês não estavam aqui em Sampa na operação da Polícia Federal lá na 25 de Março! Foi o ó!(Nunca vi tanto chinês reunido)
Pena que, quando se leva em conta o fato de que, no dia seguinte, todos os tênis Naique, Mizunu e Aididas estarão de volta aos seus lugares a gente fica meio assim.
Abraço da
Carol

Walter P. Carpes Jr. disse...

Nosso governador tem declarado que a operação Moeda Verde vai afastar os investidores da ilha. Ele acha que os empreendimentos na ilha são mais importantes que a preservação do nosso frágil meio ambiente, já tão maltratado. Como se a geração de empregos justificasse qualquer coisa, incluindo edificações sobre mangues, áreas de restinga, etc. Luiz Henrique deveria aproveitar melhor suas viagens à Europa e aprender um pouco com os administradores do velho continente. Por lá, eles já aprenderam que a maior riqueza é a qualidade de vida da população bem como a preservação de sua cultura e de suas cidades. Enquanto isso não ocorre, LHS poderia ao menos evitar dar opiniões equivocadas. O tráfico de drogas e a indústria da pirataria também dão muitos empregos. Será que, por isso, devemos incentivar a vida de tais “investidores” para cá? A operação Moeda Verde vai sim afastar alguns investidores, mas justamente aqueles nefastos para nossa cidade. Só por isso já teria sua importância. E mais um detalhe: em geral, os bons empregos gerados nos empreendimentos sob suspeita são dados a pessoas de fora. Os trabalhadores locais geralmente ficam com os piores empregos e com os menores salários. Provavelmente isso se deve ao preconceito (quase sempre injustificado) em relação aos nativos. Ou seja: em vez de empregar os habitantes locais, trazem pessoas de fora, aumentando ainda mais a já alta população da cidade. Basta ouvir os sotaques dos empregados para ver que estou certo. Poucos ousam afirmá-lo, mas é fato. Há alguns dias liguei para o cinema do shopping Iguatemi e fui atendido com a frase: “Cinesystem São Leopoldo, Boa noite!”.
Assim como muitos, também espero que a operação Moeda Verde seja um marco na história da cidade. E que ajude a mudar as mentalidades, não só de empresários e de governantes, mas também de muita gente que acredita que excesso de concreto é sinal de progresso. Florianópolis é especial por causa de sua cultura, de seu povo e de suas belezas naturais. Quem quiser ver obras grandiosas, gigantes de concreto, sempre terá a opção de ir a outras cidades. Mas não incentivem a destruição de nossa querida e linda terra.