domingo, junho 24, 2007

Paths of Glory


"Caminhos da Glória", numa tradução livre do título de um clássico do cinema dirigido por Kubrick é o melhor filme que assiti nesses últimos anos.

Embora já tivesse visto Nascido para Matar, Laranja Mecânica, De Olhos Bem Fechados, 2001 -Uma Odisséia no Espaço, e seja fã do cineasta americano, somente hoje pude conhecer um de seus mais elogiados e censurados filmes. "O poder do discurso anti-militarista de 'Glória Feita de Sangue'(*) foi tão grande que o filme foi banido em alguns países da Europa e em salas de exibição do exército americano. Na França o filme ficou proibido por mais de 20 anos" (**).


Um Clássico

Ítalo Calvino num texto primoroso - "Por que ler os Clássicos?" - define como clássica a obra que se eterniza por ser uma fonte inesgotável de inquietações quando é revisitada, numa espécie de eterna atualidade. "Paths of Glory" faz parte deste rol de obras imortais.

Não se trata de "um dos maiores filmes já feitos contra o horror da guerra", como está estampado na capa da cópia distribuída pela Cinemagia, mas de um dos maiores filmes já feitos sobre a condição humana.

Inquietações eternas

"Kubrick escreveu o roteiro ao lado de Calder Willingham e Jim Thompson a partir de um controverso romance de 1935 escrito por Humphrey Cobb que narrava um incidente real ocorrido na Primeira Guerra, quando um General ordenou à um Capitão que este abrisse fogo contra suas próprias tropas porque alguns de seus homens se recusaram à obedecer as ordens para seguirem adiante contra o inimigo (apesar disto representar potencialmente um ato suicida)" (**).


O drama percorre, portanto, as tortuosas trincheiras da Primeira Guerra Mundial atrás de respostas à pergunta: o que nos faz humanos?

A tensão vivida pelos soldados que têm de enfrentar uma corte marcial, acusados de covardia, envolve os espectadores ao ponto de ser praticamente impossível perder a atenção.


Convido a todos a ter essa "experiência cinematográfica inesquecível" (Newsweek) que não teria acontecido ontem à noite se não fosse a postagem do Mino Carta sobre a pensão do guerrilheiro Lamarca.

(*) Este é o título nacional. Como quase sempre acontece com a "nacionalização" dos títulos este ficou fora do lugar.
(**) Artigo anônimo disponível nos extras do dvd.

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