segunda-feira, julho 23, 2007

Perguntas e respostas sobre o acidente do avião da TAM

Reproduzo abaixo uma matéria do site Último Segundo sobre o acidente da TAM.


"Desastre em Congonhas: Perguntas e respostas
20/07 - 16:48 - BBC Brasil

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que a maior parte das dúvidas sobre as causas do acidente do vôo 3054 da TAM no aeroporto de Congonhas poderá ser respondida logo após a análise das caixas-pretas.


As caixas-pretas estão sendo decifradas nos Estados Unidos e o seu conteúdo pode ser revelado já na próxima semana, segundo o governo brasileiro.
Enquanto isso, há poucos fatos e muitas dúvidas sobre o que aconteceu no que já é considerado o maior acidente aéreo da história do Brasil, que deixou pelo menos 190 mortos.
Os especialistas Ivan Sant'Anna e Carlos Ari Germano – autores de livros especializados em aviação – falaram à BBC Brasil sobre o acidente e traçaram prováveis cenários.
"O que derrubou o avião é uma série de fatores: o avião superlotado, chuva, vento, água na pista, pista nova espelhada e talvez alguma decisão errada (dos pilotos) - o que até é injusto falar assim, já que é uma situação tão complicada", disse Sant'Anna.

Confira abaixo algumas questões que ainda não foram respondidas sobre o acidente e os comentários dos especialistas sobre as hipóteses levantadas para estas dúvidas.
O avião estava acima da velocidade normal ao aterrissar?
O vídeo divulgado pela Infraero na quarta-feira, com imagens do vôo 3054 em alta velocidade na pista de Congonhas, não deixa isso claro.
Segundo Germano, o avião poderia ter chegado ao chão já em alta velocidade, devido a alguma falha operacional antes de a aeronave encostar no chão (como, por exemplo, um procedimento errado por parte dos pilotos) ou devido a algum tipo de pane no avião.
Nesse caso, o acidente teria começado antes de o avião chegar ao chão.
Se o avião encostou no chão na velocidade correta, por que ele continuou em alta velocidade no solo?
Segundo Carlos Ari Germano, duas são as possibilidades:
o avião teria aquaplanado, devido ao excesso de água na pista. algum tipo de falha no sistema de freios teria ocorrido. Ivan Sant'Anna indica uma terceira hipótese: o piloto poderia ter acelerado a aeronave logo ao tocar no chão para tentar arremeter, sem mesmo tentar frear a aeronave ou depois de fracassar na tentativa de parar.
Houve aquaplanagem?
A Infraero nega que houvesse excesso de água na pista no momento do acidente, segundo medições feitas alguns minutos antes da aterrissagem. Ainda assim, a hidroplanagem não pode ser descartada, segundo os especialistas, pois ainda faltam evidências claras sobre a condição da pista no momento.
Germano afirma que a aguaplanagem apresenta uma situação de grande risco para os aviões, principalmente em pistas curtas, como em Congonhas: "Quando o avião hidroplana, a roda passa por cima da lâmina d'água e esquia sobre a água, como se fosse gelo, e não desacelera. Em uma situação de hidroplanagem, o reversor (utilizado para frear o avião com a turbina) não faz o avião parar."
Houve falha no sistema de freios?
Os especialistas afirmam que a falha poderia ter acontecido em dois sistemas de freios: no freio da roda do trem de pouso ou no reversor. Segundo informação confirmada pela TAM, o avião acidentado estaria com o reversor da turbina direita desativado devido a um problema registrado dias antes. A empresa nega, no entanto, que esse problema apresentasse risco ao avião.
Segundo Germano, é possível frear a aeronave sem o reversor, já que o principal sistema para travar a aeronave no solo é o freio na roda do trem de pouso, mas ainda não está claro se esse mecanismo estava funcionando normalmente.
O piloto tentou arremeter?
Para Ivan Sant'Anna, essa hipótese é bastante provável: "Se ele tivesse tentado parar, o avião teria caído na avenida, mas ele atravessou (a avenida Washington Luis) voando, com motores a pleno."
No entanto, outros especialistas, como Germano, avaliam que um dos reversores estava ligado nas imagens reveladas pela Infraero. Nesse caso, a decisão de arremeter só teria sido tomada tarde demais.
"Assistindo ao vídeo, o que eu reparei é que ele estava com 'full' reverso. Você nota que embaixo das rodas tem água subindo. Aquilo não se formaria se ele estivesse com potência para decolagem."
Se o piloto tentou arremeter, por que a tentativa fracassou?
A hipótese indicada pelos especialistas é de que a decisão de arremeter pode ter sido tomada tarde demais pelos pilotos.
Mas há muitos fatores que não são conhecidos ainda. Por exemplo, o Airbus opera com um sistema "fly-by-wire" (FBW), que impede a aeronave de obedecer a alguns comandos do piloto, caso a ordem seja considerada arriscada pelo computador da aeronave.
No entanto, em situações de grande risco, as soluções encontradas pelos pilotos nem sempre seguem a lógica do FBW. "O Airbus é um avião muito sofisticado e tem 'vontade própria'. Ele não toma nenhuma atitude considerada insensata, mas o que aconteceu ali foi uma situação confusa", diz Sant'Anna.
A pista de Congonhas foi um dos fatores que determinou o acidente?
Há bastante polêmica sobre a pista principal de Congonhas, que passou por uma reforma recente. A pista foi entregue sem os groovings ("ranhuras"), que facilitam o escoamento da água da pista.
No entanto, segundo os especialistas, faltam informações para se saber com certeza se havia poças d'água no momento do acidente."

* Clique aqui para acessar mais informações sobre o acidente.

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