segunda-feira, setembro 10, 2007

A Parada da Diversidade em Floripa


Neste último domingo (09/09) ocorreu em Floripa a Parada da Diversidade, evento que existe em várias cidades do país e que contou com a participação de cerca de 30 mil pessoas (de acordo com o Diário Catarinense) ou 20 mil (de acordo com estimativa da Polícia Militar).
Seja qual for o número de participantes, a Parada da Diversidade (com o tema "amar é direito de todos") é um evento que marca uma temática social de grande importância: o preconceito contra os que apresentam opção sexual diversa da hetero, já que o movimento é organizado por associações GLBTS (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e simpatizantes).
Apesar da importância da mensagem e da consolidação do espaço ocupado pelo movimento, alguns moradores de Floripa ficaram indignados com o fechamento da Avenida Beira-Mar e conseqüente transtorno ocorrido no trânsito da capital catarinense.
O ruído foi tão grande que nos jornais da cidade, o preconceito e sua superação (mensagem do movimento) ficaram de lado para o debate do (nessa hora tão lembrado) "direito de ir e vir". Ora, ora, ora... A Parada da Diversidade não é apenas uma festa. É um ato político e o espaço para a manifestação pública é a RUA (ou avenida, ou praça ou algo que o valha).
Se o evento já tinha pretensão de atrair tanta gente, o que deve ser criticada é a atuação do Poder Público local em não conseguir organizar o trânsito durante o evento. Agora, imaginar que os eventos públicos devam ser levados para "áreas apropriadas" (como a Passarela Nêgo Quirido ou quem sabe um Estádio de futebol) é tratar mais uma vez o efeito como causa. Lembra idéias geniais como fazer manifestações políticas (greves, atos, protestos etc.) sem causar "transtorno à população". Ao que parece, quando a manifestação ocorre é porque o transtorno já existe.
O problema, portanto, não é a Parada. O problema é entender que a cidade é um espaço de convivência e que a tolerância deve ser exercitada a todo momento. É assim com todas as manifestações públicas, como o carnaval, a conquista de um título no futebol, do Guga no tênis, com as greves, entre tantos outros (concordando ou não com cada um desses eventos).
O poder público local não conseguir organizar o trânsito (é bom que se diga) também é um problema, mas pode ser resolvido com alguma faciliade. Assim, para finalizar, espero que no próximo ano a Parada ocorra normalmente e que o trânsito esteja melhor organizado, para que todos possam passar com os seus carros de forma tranqüila pela Avenida Beira-Mar. Acho que é o suficiente para direcionar os olhares para o que realmente importa.

3 comentários:

Adriano De Bortoli disse...

Geyson,
vc tem toda a razão. Faltou policiamento principalmente no elevado do CIC onde a confusão era geral.
Vinha do Rio Vermelho em direção à Trindade e levei mais de 1h. Engarrafamento desde o Floripa Shopping até o CIC e depois na rua do HU.
Fica a pergunta: pra que serve a Guarda Municipal? Só pra colocar os cones na pista?
É lamentavel que queiram responsabilizar os manifestantes de rua pelos problemas gerados nos gabinetes.

FCMO disse...

A culpa não é dos manifestantes, que tem o direito de expressar seu orgulho gay. Contudo, é um absurdo a falta de organização do poder público na questão. Ao mesmo tempo, acredito que ver a passeata como o um ato político é forçar a barra. De político não tem nada. Há tempo que parada gay deixou de ser espaço de reivindicação de uma minoria para passar a ser um grande negócio: espaço de festa e, principalmente, uma forma de aquecer, por alguns dias, a economia do município. São hotéis, táxis, restaurantes e o comércio quem mais lucra com a parada. É o melhor turista: educado e com dinheiro. Ou alguém acredita que foi coincidência ou incompetência marcar a parada para o feriado? Para finalizar, a alegria não é justificativa para impor a quem não quer participar da festa uma cidade intransitável e um palco com música ao vivo até às 23 horas. Civilidade traduz-se por respeito ao próximo e às diferenças, em mão dupla. Mas, para uma cidade em que o acesso ao sul da ilha fica impedido enquanto o Avaí joga contra o clube do Remo... Guarda Municipal? Aguarda municipal!

Geyson Gonçalves disse...

Ainda afirmo que a Parada é um evento político (e festivo também, sem dúvida). As reivindicações das minorias devem ser respeitadas tanto quanto às da maioria. E outra coisa, uma cidade organizada não exclui a possibilidade de uma cidade alegre (no melhor sentido da palavra).