domingo, dezembro 02, 2007

Bastidores

A disputa política pode ser comparada às montagens de teatro.
A platéia não sabe o que se passa por detrás das cortinas vermelhas do espetáculo e se delicia com a atuação dos artistas na interpretação de seus personagens.
Na política o palco é a mídia, a grande mídia (Globo, Veja, Folha) e os bastidores são muito maiores do que os minutos de notícias do jornal nacional.
Atualmente as peças em cartaz são: CPMF, Renan Calheiros e Terceiro Mandato. Nos bastidores a maior preocupação da oposição é a popularidade do Presidente Lula.
Pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha revela que a popularidade do ex-metalúrgico continua em alta: 50% dos entrevistados avaliam o governo como bom ou ótimo; 35% como regular e 14% como ruim ou péssimo (clique aqui).
Só para se ter um parâmetro que possa servir como base comparativa, o maior índice atingido por um presidente nesse tipo de pesquisa (realizada desde 1990) foi de 53% de ótimo ou bom, atribuídos ao governo do Presidente Lula em outubro de 2006 (no auge da campanha eleitoral, com mensalão e outros ataques).
Não é à toa que a oposição se empenha para derrubar a CPMF. Parte dela, é claro. Pois o PSDB seria bastante prejudicado com o fim do imposto criado por seu presidente com apoio do PFL (hoje democratas). Para o DEM o risco é menor, pois só governam o distrito federal, a capital do Rio de Janeiro e a capital de São Paulo. O Distrito Federal, como bem sabemos depende de repasses orçamentários da União e dificilmente poderia ser deixado a sua própria sorte com o fim do referido imposto. Rio e São Paulo não fazem parte do quadro político da eleição presidencial e o DEM só disputaria São Paulo. No Rio as coisas caminham para o PMDB.
Já os outros estados terão grandes dificuldades pela frente com o fim do imposto. O Rio Grande do Sul, então, nem se fala. Com o vice-governador na oposição a Governadora Yeda Crusius teria de fechar o departamento de pessoal e sair pelas portas dos fundos do Palácio Piratini.
Serra também não se sentiria bem com a redução de recursos para a sua campanha a presidente.
Mas o que poderia fazer a oposição? Como quebrar a hegemonia do governo Lula antes das eleições municipais?
Talvez esse seja o teste mais difícil pra uma oposição que só foi governo. Se ela conseguir passar nele cumprirá todos os créditos e poderá tentar o governo novamente com aprovação: suma cum laude.

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