quinta-feira, janeiro 10, 2008

"Comentaristas" Globais



Por casualidade assisti à libertação dos reféns colombianos pelas Forças Armadas Revulocionárias da Colômbia.
Após o término da exibição das imagens vieram os "comentaristas" globais: Merval Pereira e Lúcia Hipólito.
Em resumo os dois bateram na mesma tecla: a libertação é louvável e deve ser elogiada. Mas... lembrem-se que foi o Hugo Chávez quem estava envolvido diretamente nesse episódio. E ele é do mal, muito mal e só quer tirar proveito político da situação. Por isso essa libertação deve ser vista com cuidado.
Incrível, mas foi isso mesmo. Se o presidente envolvido fosse o Fujimori (que atualmente se encontra preso por vários crimes, dentre eles corrupção, no Peru), ou Menen, ou Losada, tudo bem. Afinal de contas eles são do bem, muito do bem.
Esse maniqueísmo no qual insistem os "comentaristas" políticos da globo é de um simplismo infantil, não fosse a dose de cinismo que alimenta esse tipo de jornalismo.
As reféns, em entrevista, foram unânimes ao declarar o seu agradecimento à atuação de Chávez na sua libertação.
Os governos americano, francês, brasileiro e outros tantos também congratularam o presidente venezuelano pela sua atuação no caso.
Tentar desqualificar a ação de Chavez em razão de seus interesses políticos é o mesmo que desqualificar os jornalistas porque desejam ser lidos e ouvidos pelo maior número de pessoas.
O que se espera de um político senão que atue politicamente? Chavez tinha interesses políticos no episódio: isso é evidente. Assim como a FARC e o Presidente Uribe. Agora, como esses interesses poderiam ser compatibilizados se as FARC estão em guerrilha contra o governo colombiano - que por sinal tem agido com apoio americano na dissolução da guerrilha - ?
Se não houvesse alguém com trânsito nas FARC e com status político para coordenar essa negociação, quem poderia fazê-lo?
Todas essas ponderações não me levam a ser um defensor de Chavez e de suas propostas de socialismo do século XXI. Só permitem explorar melhor os aspectos políticos de um drama que já durava 6 anos para os reféns e seus familiares.

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