sábado, abril 05, 2008

Profissionais do sexo

Classificação brasileira de Ocuapações - Ministério do Trabalho

5198-05 -
Profissional do sexo - Garota de programa , Garoto de programa , Meretriz , Messalina , Michê , Mulher da vida , Prostituta , Puta , Quenga , Rapariga , Trabalhador do sexo , Transexual (profissionais do sexo) , Travesti (profissionais do sexo)

Descrição sumária
Batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade; propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.

Discutíamos ontem, um amigo e eu, sobre o perfil sócio-econômico de prostitutas no Brasil. Defendi que a maioria dessas mulheres eram paupérrimas ou pobres. Meu amigo defendeu que eram classe média. Apostamos um Luigi Bosca - Pinot Noir. Daí surgiu esse interesse estatístico a respeito do mundo do baixo meretrício.
A surpresa foi agradável. Encontrei uma rede de movimentos sociais envolvida com a questão da prostituição e muitas iniciativas transformadoras.
Comecemos pelos dados estatísticos que consegui coletar por meio do jornal Beijo na Rua.
"O retrato da prostituta brasileira

Pesquisa revela que a maioria das prostitutas tem de 20 a 29 anos, ganha até quatro salários mínimos e tenta esconder dos outros a profissão

A maioria das prostitutas do Brasil tem entre 20 e 29 anos, não completou o primeiro grau, ganha de um a quatro salários mínimos e está na profissão há menos de cinco anos. A maior parte trabalha na rua, em bares e boates, fazendo programas em hotéis. Na hora do sexo, 67 por cento usam preservativo com os clientes. Com o parceiro fixo, no entanto, só 20 por cento usam camisinha, número igual ao das mulheres de um modo geral. Quase metade das prostitutas (43 em cada 100) já fez exame para verificar se está infectada pelo vírus da aids, o HIV, enquanto só 20% da população brasileira se submeteram ao teste. O que chama a atenção é que as profissionais do sexo se preocupam mais em fazer o teste de HIV do que o exame ginecológico preventivo: só 40% se cuidam para evitar o câncer de colo de útero. No total, 6 em cada 100 mulheres tem o vírus HIV. Este número é menor do que o das prostitutas do Canadá (15%), Tailândia (19%) e China (10%). Mas é maior do que o número de profissionais infectadas na Índia (5%) e na Argentina (4%).

Esse perfil da prostituta brasileira é o resultado da primeira pesquisa nacional feita com a categoria profissional. Foram entrevistadas 3 mil mulheres nos estados do Maranhão, Paraíba e Sergipe (Região Nordeste), São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (Sudeste) e Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul). O trabalho foi encomendado pela Coordenação Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e realizado pela Universidade de Brasília, a UnB, em 2001-2002. Prostitutas e técnicos da Rede Brasileira de Profissionais do Sexo acompanharam tudo, para garantir os direitos das pesquisadas: entre eles estão o de receber tratamento, em caso de necessidade, e o de não ter os nomes divulgados. Foram comparados dois grupos de prostitutas: um, que não tem acesso a programas de prevenção de aids e outras doenças venéreas; e outro, de mulheres que participam de programas desse tipo, em geral promovidos por organizações não-governamentais (ONG). A pesquisa mostrou que o trabalho das ONG funciona: as meretrizes com acesso a projetos de prevenção usam mais o preservativo com clientes e parceiros e recorrem com maior freqüência a serviços de saúde, realizando exames preventivos e de aids em maior proporção. (para ler a matéria completa acesse o site Beijo na Rua)"
Não consegui localizar o relatório da pesquisa encomendada pelo DST/AIDS a UnB, mas penso que os dados já favorecem a defesa que fiz ontem. Pelo IBGE considera-se classe média a família que tem renda mensal, conforme o blog A Base da Pirâmide,
entre R$ 1.100,00 e R$ 2.900,00.
Como a entrevista fora feita em 2002/2003 e o salário mínimo valia + ou - R$ 200,00, teríamos uma renda variando desse valor a R$ 800,00. Se utilizarmos o salário mínimo vigente os valores ficam entre R$ 410,00 e R$ 1.640,00. Somando o máximo e o mínimo temos R$ 1.025,00. Luigi Bosca aí vamos nós...
Vale a pena visitar os sites e blogues desse "meio prostituto".
http://www.daspu.com.br/ É a "grife" criada pela Rede de Prostitutas do Brasil e fez a Daslu disputar judicialmente a "marca".
Fórum Nacional de Entidades de Direitos Humanos. Tem uma matéria excelente sobre prostituição e violência.
ONG Da Vida - Davida é uma organização da sociedade civil, fundada no Rio de Janeiro em 1992, que promove a cidadania das prostitutas. Os principais instrumentos do Grupo Davida são ações nas áreas de educação, saúde, comunicação e cultura, de nível local e nacional.
Ministério do Trabalho - Classificação de Ocupação - profissionais do sexo.
DST/AIDS - Portal informativo sobre AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis.

(*) A imagem é do filme Cidade Baixa. Confira aqui um trailler.

6 comentários:

Sandro Sell disse...

Permita-me um comentário, inspirado na chatíssima Criminologia Crítica: se você definir como prostituta apenas as que assim se autodefinem, a pobreza será a marca delas, vinho para você (Zaffaroniando, seria a tal da prostitutabilidade tosca). Mas se definirmos prostitutas pelo dar-se por dinheiro de forma habitual ou como modo de vida, o incremento de emergentes, classes médias, e mesmo ricas detona sua estatística. Ponto para o seu amigo.

Se der empate, me ofereço para dividir a garrafa, isso, é claro, se vocês não preferirem a intermediação de uma "profissional"...

Adriano De Bortoli disse...

Eu desconfiava que a discussão sobre o perfil sócio-econômico das prostitutas e a menção ao Luigi Bosca - Pinot Noir - instigaria os mais aguçados intelectos e paladares.
As "piriguetes" emergentes, classe média e ricas estão mais para o direito penal e seus crimes de extorsão, extorsão indireta, esbulho possessório, supressão ou alteração de marca de animais, apropriação indébita, estelionato e oneração fraudulenta de coisa própria.
De qualquer forma uma garrafa de vinho sempre deve ser compartilhada com os amigos... com ou sem intermediações de uma "profissional".

Katacultura disse...

Bem, sobre o assunto não tenho conhecimento de causa, mas posso garantir que o Luigi Bosca- Pinot Noir- é um vinho excpecional(palavras de outro membro do blog- Mr Gustavo Pedrollo).

Geyson Gonçalves disse...

De Bortoli,
Em relação ao nível sócio-econômico das "operárias do sexo" (no dizer do professor Paulo Lopo Saraiva) pode haver algum debate... Agora, em relação ao dos comentaristas... Olha o "prêmio" da aposta: vinho Luigi Bosca - pinot noir??!!?? Sério?? E a YPIÓCA, onde fica neste debate???
De qualquer forma, como estamos tratando de abandonar preconceitos, me proponho, também, a compartilhar o prêmio (seja qual for o resultado). Aliás, pelo andar da carruagem, uma garrafa já não é mais suficiente. Se é que já foi em algum momento.
Um abraço,

Adriano De Bortoli disse...

Como diria Joãozinho Trinta: quem gosta de pobre é intelectual (rsrs).
Mais uns dois dias e vamos precisar de uma caixa de vinho.
Um abraço

Gustavo de Carvalho Rocha disse...

Com certeza os profissionais do sexo são de baixa renda (é só conhecer as periferias para conferir). As que o seu amigo se referia como classe média, na minha concepção, são as "legalizadas" como as que ganham à vida se vendendo como Sexy, BBB’s, programas dominicais e etc. Erotizam por horas nestes meios de comunicação. Neste caso, estas mulheres são de um modo aceitas coisa que as de baixa renda não, pois não tem a mesma “oportunidade” de se venderem mais dignamente sem corpo. Assim, creio que existam sim mais prostitutas de classe média e alta, só que nestes meios de comunicação em que me referi. As de baixa renda vão para as ruas de sujeitarem a todos os males em que o seu “post” relatou, por exemplo.

Feliz foi este “post” no blog de vocês!

Um abraço.