sexta-feira, maio 30, 2008

Os Jornalistas - Terceira Variedade - O Fabricante de Artigos de Fundo



Este redator, ocupado com matérias especiais, sai da fraseologia dos Primiers-Paris. Ele pode ter uma opinião no que não diz respeito ao fundo comum da política, pois deve sempre se ligar à opinião dos jornais através de algumas frases. Estudando as questões comerciais ou agronômicas, os livros de alta ciência, este publicista conserva retidão nas idéias. Assim ele tem mais valor real que o Tenor. Raramente vai ao jornal, e seus artigos se contam na base de três ou quatro todo mês. O Primier-Paris, sempre preparado pelos acontecimentos, amassa-se na Ópera, nos corredores da Câmara, em jantar na casa do patrão político do jornal (olhe sempre mais embaixo); enquanto o artigo de fundo exige o conhecimento do livro do qual se trata e da ciência da qual se ocupa; assim este redator ganha pouco dinheiro, e pode se comparar a este tipo de papel que nós chamamos de as grandes utilidades do teatro.
Nos jornais ministeriais, estes redatores têm um futuro: tornam-se cônsules-gerais nas paragens mais distantes, são nomeados secretários particulares pelos ministros, ou cumprem outras missões oficiais; enquanto aqueles da Oposição ou dos jornais antidinásticos só têm como asilo as academias de ciências morais e políticas, as inscrições e as belas letras, algumas bibliotecas, até mesmo os Arquivos, ou o triunfo excessivamente problemático de seu partido. O artigo de fundo faz falta nos jornais, que começam a ficar cheios de vazio. Nenhuma folha é rica o suficiente para retribuir o talento consciencioso e os estudos sérios. (Veja o Gênero Crítico)

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