segunda-feira, janeiro 26, 2009

População de rua

Deu no O Globo: "RIO - O tamanho do desafio de reduzir a população de rua no Rio pode ser medido pelo número de mendigos que dormiam nesta quarta-feira, por volta das 7h, somente na Avenida Atlântica e na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Eram 36, num bairro que desde abril de 2007 recebe as ações do CopaBacana e onde já vem sendo aplicada a determinação do prefeito Eduardo Paes de proibir que pessoas durmam em áreas públicas".
Fico me perguntando, como é que a "população de rua" poderá existir se não for em áreas públicas???
Suponho que as ruas ainda sejam espaços públicos. 
É verdade, supor é mero eufemismo. 
Deduzo, infiro, concluo que as ruas são por sua própria definição legal espaços públicos! 
E, se existem (note-se bem o verbo) pessoas que vivem nas ruas (andam, correm, descansam, dormem, mijam - um canalha não diz urinam, ou fazem xixi -, cagam - pelas mesmas razões já exposadas sobre o canalha, que é outro capítulo -, conversam, etc, etc, etc), vivem, essas pessoas, no espaço público.
Proibir essas pessoas de estar no espaço público é decretar a sua extinção!
Populações??? Que é isso??? Por acaso estamos tratando de uma questão de competência da Vigilância Sanitária??? Ora, populações há de ratos, baratas, formigas e outros "bichos escrotos". São moradores, existem no espaço público!
Agora, tratar pessoas como população a ser removida??? Que é isso??? Choque de Ordem??? Que nada, higienização, limpeza, urbanidade. Só os indivíduos limpos e sadios!!!
É impossível não associar as primeiras medidas da prefeitura do Rio com as ideologias facista e nazista.
36 mendigos são o tamanho do desafio para o bairro de Copacabana ser higienizado, segundo O Globo. Realmente, é um tremendo desafio fazer desaparecer 36 pessoas sem deixar vestígios. Como será que o Diretor de Redação pensa em fazer? 
Contratar uma milícia? Não dá, já tem a chacina da Candelária que virou notícia internacional.
Expulsar? Também não adianta porque sempre aparecem novos "populares de rua".
Adotar? Taí, quem sabe as empresas que ocupam o espaço público começassem a fazer isso. Adote um mendigo, como uma forma de despoluição visual e ao mesmo tempo de garantia da presença da marca com responsabilidade social.
Ora, porque não acabar com a pequena população que fez ruir o sistema financeiro internacional e está gerando a pior crise financeira depois do crash de 1929? Porque não acabar com a população das agências de risco, eliminando essas pomposas empresas de fraudes mercantis? 
Sarcasmos à parte, assusta ao leitor dos jornais cariocas o vezo ideológico profundamente excludente, facista, nazista impregnados nas mais variadas matérias.
O chamado Choque de Ordem da gestão Eduardo Paes é no mínimo esdrúxulo. Digno da carreira política falastrona do ex-deputado mensalônico, que se espera seja curta.
Certamente o Rio não se resume a isso, nem, espero, deixará que essa ideologia tome conta.

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