quinta-feira, fevereiro 11, 2010
domingo, setembro 28, 2008
Machado de Assis

Há exatamente 100 anos, morria no Rio de Janeiro o “Bruxo do Cosme Velho”. Uma singela homenagem do CIVITATES ao Autor de Dom Casmurro, com a transcrição de uma poesia publicada no livro Crisálidas, de 1864.
Êrro
Êrro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Nem foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, – como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras...
Machado de Assis
domingo, junho 10, 2007
Ariano Suassuna e o Movimento Armorial

Lá pelos idos do quadrante do ano setenta, do século vinte, mais precisamente em dezoito de outubro, respaldado e desenvolvido em ambiente universitário, um cambrião visionário nordestino (imagine!), o mais que pernambucano nascido em Taperoá, Paraíba - é n(o) fim do mundo?! Valei-me, meu Deus, para sempre seja louvado! - um cabra de esquerda assumido e, em pleno topete da sanguinolenta “ditacuja”1, ajuntado com outros “comparsas”, sacode no Brasil-Mundo uma revolução: realizar uma arte sabida brasileira a partir da utilização da rica cultura popular nordestina (ôxe, é muita pretensão!). Foi um alvoroço só, Virge Maria! A santa não foi a padroeira, mas foi louvada e aclamada em várias facetas dos pecadores... Se não lhes “perdoou”, protege-os de alguma maneira... "
(clique aqui para ver a imagem ampliada e aqui para acessar o conteúdo completo desse repente proseado)
Mais ou menos na metade do mês de outubro de dois mil e cinco, mas já podendo precisar ao certo, no período de dezessete a vinte e oito de outubro, a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), por meio da Agência Experimental em Relações Públicas (Agerp), apresentou o projeto multidisciplinar: O Romance de um Romanceiro Arengueiro ou A Eterna Peleja de um Cabra Sabido em Busca de uma Identidade Nacional ou Harmonia Armorial, 35 Anos em Movimento.
(Em 18 de outubro de 2004 foi realizado o evento Armorial – movimento preliminar dos 35 anos, onde foi feito o lançamento do vídeo A Música Armorial: do experimental à fase arraial, de Ana Paula Campos, egressa de Relações Públicas. O evento contou com a participação de Ariano Suassuna.
O feito foi uma homenagem ao Jubileu de Coral do Movimento. A Unicap utilizou-se do seu ensino, pesquisa e extensão e, mais uma vez, escancarou suas portas para os saberes acadêmicos com interferências qualitativas de ajudas (mútuas) socioculturais ...
“A Unicap não está somente situada no Nordeste: está voltada para ele: - (...) - para sua riqueza, cultura e valores éticos de sua população.[Sua] concepção de ensino, pesquisa e extensão parte da realidade, variada e complexa; busca uma fundamentação teórica e instrumentos de análise para entendê-la; processos e técnicas para intervir na realidade a fim de transformá-la. [...Além de] formar o espírito científico dos alunos, - não só fornecer-lhes informações, mas incitá-los a pensar por si mesmos, criticar as opiniões recebidas e a buscar o conhecimento.
(...) Ao mesmo tempo, a Universidade incentiva a criatividade de seus alunos, a abertura do espírito em relação a outros saberes pela interdisciplinaridade, e a abertura aos problemas da região e da cidadania, através de uma prática ética e consciência social”14. Plantar ações, utilizando valores que retratam a cultura do povo, de um povo, é produzir e colher re(conhecimento) social, é ter responsabilidade social.
A partir dos seus ensinamentos e preceitos, foi realizada uma leitura, retrospectiva... dos principais motes do Movimento - releitura e desenvolvimento de ações à luz do conhecimento e da realidade intelectual produzida na universidade.
O mote foi contado a partir da realidade dos cursos de dois Centros, das unidades comunitário-artístico-culturais, egressos da Unicap e personalidades convidadas.
As ações multidisciplinares realizadas no Harmonia foram idéias, sugestões adequadas e desenvolvidas por alunos ou grupos, egressos, professores e convidados; o produto final, portanto, é de autoria coletiva.
Tudo o que é refinado, lapidado, clássico, erudito, originou-se do cru, do rude... do povo e de sua cultura. A comunidade unicapiana (discentes, docentes, pesquisadores, administradores, religiosos, prestadores de serviços) saboreou dessa arte e convidou outros “meus senhores todos [... e minhas] senhoras também”15 para provar do tempero e não serem engolidores de qualquer coisa!
Este parco repente proseado foi um desacato e uma homenagem ao des(entendimento) de muitos brasileiros que não querem enxergar (mesmo tendo o mínimo de conhecimento) a pelo menos um palmo dos seus “ói” e àqueles que valorizam e velam os valores consuetudinários da cultura nordestina, respectivamente. Os afazeres não foram regionalistas, mas os que irão arvorar-se na saga do h(armorial) irão bebê, cumê, degustar de (uma) cultura regional-brasileira-universal, legítima, original." (grifo acrescentado)