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quarta-feira, junho 30, 2010

Soco de honra



Nos meus tempos de piá era comum tentar manter a honra da derrota numa briga com algum artifício retórico. Uns apareciam com olho roxo e negavam os fatos: "é que caí da bicicleta e bati o olho no guidão!" Outros mentiam descaradamente: "não apanhei não, fui eu quem bati. Só parei a briga porque não queria machucar ninguém!"
Havia, contudo, aqueles que tentavam manter a honra assumindo a derrota, mas querendo transformá-la numa vitória: "apanhar, apanhei. Mas 'di' um soco bem no zóio do lazarento!"

O comentário que reproduzo abaixo, direto do blog do Luis Nassif, lança mais uma hipótese para tentar solucionar a dúvida cultivada no post sobre o vice do Serra. Ganhar no Sul trata-se de garantir a honra da candidatura. É uma espécie de "soco no olho" que tentaria diminuir os estragos de uma derrota iminente e possivelmente acachapante no primeiro turno das eleições presidenciais.

O erro mais notável foi a escolha de Álvaro Dias, do Paraná, para candidato a vice – provocando uma crise insanável com o DEM.

Para Ricardo Guedes, do Sensus, só  há uma explicação para essa iprudência: a percepção, na campanha de Serra, de que o PSDB poderá perder o sul – fato inédito em campanhas eleitorais. A tática não seria mais a de angariar apoios – o que ocorreria com um candidato do nordeste – mas a de preservar a região.

O Sensus montou para vários clientes vários de discussão em São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Nesses grupos, as pessoas são convidadas a dar nota de 0 a 10 aos candidatos tanto no início quanto no final das discussões. Em todos os grupos se observou tendência de crescimento de Dilma e de queda de Serra.



* Na fotografia do ex-Deputado Roberto Jefferson outro exemplo de manutenção da honra. O roxo no olho esquerdo, segundo o deputado,  foi resultado de uma estante que caiu sobre ele no dia anterior ao seu depoimento na CPI do mensalão.  Até então, eu não sabia que estantes tinham punhos de boxeador.