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quinta-feira, janeiro 21, 2010

La linea gialla 1


Abro um parênteses para começar uma série de tentativas de explicação da expressão que utilizei na primeira postagem do ano (contrariando seu sentindo original com a omissão do "non"): "non allontanarsi dalla linea gialla".
São impressões, profundas impressões, da cultura de um dos países participantes do selecto grupo (ou ex-selecto, depois da crise de setembro'08!) de potências mundiais bem acomodadas em suas confortáveis poltronas de PIB's revestidos de trilhões de dólares.
Elas surgem do cotidiano mais pueril, de conversas com os vendedores ambulantes do senegal, das exigências burocráticas infindáveis, confundíveis e incoerentes, da pasta inigualável, do vinho homogeinizado, do que está encoberto e descoberto.
Não posso dizer carinhosamente "Italia mia!"... questa donna, ao parece, já tem dono.

***
Tentei configurar o texto mas não consegui.
Originalmente publicado no Le Monde diplomatique Brasil.

"Carta Capital e o país de Pinocchio

Os artigos de Mino Carta e Walter Maierovitch, contra o refúgio a Cesare Battisti, ferem a tradição da revista que os publica. Como textos jornalísticos, são desinformados e omissos. Politicamente, sugerem que todos podem rever suas posições – exceto os revolucionários italianos dos anos 1970

Giuseppe Cocco

(06/02/2009)

No Brasil, as vivas polêmicas suscitadas pelo caso Cesare Battisti foram e são atravessadas por dois grandes vieses. Obviamente, um deles tem origem na Itália. O outro, só um pouco menos óbvio, é fato da conjuntura política brasileira.

A violenta reação da classe política italiana à decisão brasileira de conceder “refúgio” a Battisti tem dois determinantes. O primeiro diz respeito à composição fortemente reacionária do atual Executivo, presidido por Silvio Berlusconi. Se o berlusconiano ministro do exterior, Franco Frattini, chamou de volta o embaixador, foram os pós-fascistas a ameaçar com a suspensão do amistoso de futebol entre Brasil e Itália; e um deputado da "Lega Nord" a declarar que o Brasil é conhecido por suas dançarinas e não por seus juristas.

O segundo determinante diz respeito à composição da classe política italiana, considerada em conjunto. Apesar de seu pouco peso (o regime italiano é parlamentar, e quem “manda” é o primeiro-ministro), até o presidente italiano, o pós-comunista Giorgio Napolitano, protestou veementemente e de maneira deselegante, em carta aberta ao presidente brasileiro.

A cobertura da grande mídia brasileira não traz nenhuma novidade. Quando se trata de Bolívia e Equador, ela prega firmeza e critica a postura conciliatória do governo brasileiro. Quando se trata de Itália, ela repercute (e dá legitimidade) à pressão italiana, sem nenhuma preocupação com a firmeza “nacional” que prega nos outros casos. A elite é isso mesmo: “forte com os fracos e fraca com os fortes”!

Mas, há uma segunda vertente de críticas à decisão brasileira no caso Battisti: trata-se das colunas de Mino Carta, o editor-proprietário de Carta Capital,e de um magistrado, ex-chefe da repressão ao narcotráfico (sob FHC) que publica colunas no mesmo semanário. Na realidade, a atitude de Mino e Walter Maierovitch flerta com a histeria da direita anti-Lula e mancha a postura de independência editorial que Carta Capital ostentar. Há dois traços específicos nessa segunda vertente.

Em primeiro lugar, Mino Carta e Walter Maierovitch pretendem-se inseridos no cenário político brasileiro nacional, no campo progressista, até de centro-esquerda. Em segundo lugar, ambos apresentam-se como profundos conhecedores da realidade italiana — sabe-se lá se por suas origens familiares, ou por algum outro critério pessoal indecifrável. E é assim que se lê, na Cartado Mino (de 28 de janeiro de 2009 ) que “o ministro Tarso Genro expõe ignorância em relação à história recente da Itália”.

Por que esse tratamento desigual, em artigo de jornalista tão bem informado? Será que Mino não sabia como resolver a incongruência dessa unanimidade entre “comunistas” e “fascistas”? O jornalista omitiu um fato que atrapalhava sua coreografia

As colunas desses dois autores atacam a decisão de Tarso com argumentações supostamente mais rigorosas no plano histórico, jurídico e político. Muitos, na esquerda, ficaram perplexos com o que leram essa semana. fato é que aqui se viu uma interpretação reacionária à brasileira do balé reacionário encenado por praticamente toda a classe política italiana. Em outro site, Walter chega a formulações de bem baixo nível, que deixamos que o leitor avalie: “Caso Battisti: Tarso Genro protagoniza tragicomédia e vai do masturbador a Bobbio”.

Mas em italiano existe uma frase bem adequada ao paradoxo aparente dessa situação: non tutto il male vien per nuocere –nem todo o mal vem (só) para o mal! A postura dos dois colunistas nesse caso é uma boa ocasião para ver, por um lado, que, nesse caso, seu jornalismo não é tão independente como eles desejariam que fosse; por outro, que eles são incapazes de apreender as dimensões políticas dos processo sociais e de seus conflitos.

Grosso modo, Mino mobiliza três argumentos.

Um, geral, que diz muito sobre sua visão dos problemas do Brasil: trata-se de um país que deve firmar-se em nível internacional – ou seja, ser sério, nos termos dos palpiteiros que decidem sobre "níveis de risco".

Assim, para Mino, o que pensa The Economistconstituiria alguma espécie de Magna Carta – ou seja uma Carta Capital... decisão sobre Battisti é ruim, diz ele, também porque The Economistnão gostou. Para Mino o Brasil ainda seria uma criança que “vive em estado de ignorância”.

O segundo argumento mobiliza um método jornalístico estranho. Afirmando-se como especialista dos detalhes da vida política italiana e de sua história, Mino elogia a carta aberta enviada a Lula pelo presidente italiano – o “comunista” (diz ele) Giorgio Napolitano. Mino não chama de pós ou de ex-comunistas os membros do Partido Democrático (para onde convergiram os ex-membros do PDS (antes Partido Comunista Italiano) e os ex-membros da Democrazia Cristiana, DC). Tudo bem: até aí, nada de grave.

Mas logo depois, Mino fala de uma outra carta, dessa vez enviada pelo presidente da Camera dei Deputati , Gianfranco Fini, a seu homólogo Arlindo Chinaglia. Ora, no Brasil, todo mundo sabe que Chinaglia é do PT. Mas ninguém sabe de que partido é Fini. Se usamos o mesmo critério pelo qual Mino apresentou Napolitano ("comunista"), Fini tem de ser apresentado como "fascista": é dirigente do partido (MSI) criado pelos sobreviventes do regime mussoliniano no imediato pós-guerra. Partido que, recentemente, se transformou em "Alleanza Nazionale". Diante disso, o que pensar?

Por que esse tratamento desigual, em artigo de jornalista tão bem informado? Será que Mino não sabia como resolver a incongruência dessa unanimidade entre “comunistas” e “fascistas”? O nariz de Pinocchio não cresceu. O jornalista não escreveu uma mentira.

Simplesmente omitiu o fato que atrapalhava sua coreografia. E isso depois de anunciar que, “como recomendaria Hannah Arendt, vamos à verdade factual”(sic). Ou ignorância da situação italiana, ou por ter-se atrapalhado com tantos malabarismos jornalísticos, Mino surrupia ao leitor um elemento importante: o drama da classe política italiana está justamente no fato de que comunistas e fascistas têm idêntica opinião sobre os anos 1970, sobre o Brasil de hoje e sobre várias outras coisas. Pobre Hannah Arendt, condenada à revelia a nos ensinar esse tipo de “verdade”.

Ninguém aqui pretende mobilizar Gramsci em prol de Battisti. Mas o que pensaria o filósofo sobre o apoio dos ex-comunistas italianos às guerras do Afeganistão e do Kosovo; ou sobre direita e esquerda italianas estarem hoje unidas numa furiosa discriminação dos imigrantes?

A “verdade” que Mino noticia nada é além da “verdade” de todos os ex-comunistas e ex-fascistas que negam aos militantes revolucionários dos anos 1970 a possibilidade de, hoje, quase 40 anos depois, serem diferentes do que foram. Por que tantos são hoje “pós”... e os militantes revolucionários daquela época não podem ser?

Por que, em outro parágrafo, falar do fato de que o advogado de Battisti defende também Dantas, e não lembrar que o mesmo advogado defendeu também o MST? MST que assinou manifesto em favor de Battisti e ocupa oito páginas do mesmo número do semanário? Por que quando fala do Tortura Nunca Mais pelo avesso que haveria na Itália, não citar o detalhe de que o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro apoiou a decisão do Ministro Tarso?

No mesmo numero do semanário, Walter começa sua coluna falando de Gramsci morto na prisão, por mãos dos fascistas. Não faz a pergunta indispensável: o que pensaria o pobre Gramsci, se visse uma situação na qual pós-comunistas e pós-fascistas andam juntinhos?

Não: ninguém aqui pretende mobilizar Gramsci em prol de Battisti. Mas haveria boa coluna a escrever, sim, sobre o que pensaria Gramsci a respeito de dois votos dos ex-comunistas italianos: a favor da guerra do Afeganistão e da guerra Kosovo. E o que pensaria ele sobre direita e esquerda italianas estarem hoje unidas numa furiosa discriminação dos imigrantes estrangeiros? E sobre a imposição das bases militares dos EUA em Vicenza, algo que a população daquela cidade rejeitou em plebiscito legal (e estamos falando de 2008!) e que direita e esquerda italianas aprovaram? E o que pensaria Gramsci sobre o ex-comunista Walter Veltroni, líder do “Partido Democratico”, que, quando prefeito de Roma, ante um fato de delinqüência sexual praticado por um grupo de imigrantes romenos, clamou por punição coletiva, étnica, para todos os “roms” (quer dizer, todos os ciganos)?

Mino e Walter falam da volta do “Febeapá do Lalau” e se pretendem conhecedores finos da realidade italiana. Walter nos explica que as leis especiais de repressão da luta armada não eram “de exceção” mas de “emergência” – sutileza equivalente ao requinte busheano de chamar a tortura praticada em Guantanamo de “novos métodos de interrogatório”. E então vem Mino e nos diz que “a Itália (...) não alterou uma única, escassa vírgula da sua Constituição para combater o terrorismo”.

Difícil supor que Mino não saiba que a Constituição italiana co-habitou por muito tempo não apenas com a máfia e a corrupção, mas, sobretudo, com o "Códice Rocco" – que leva o nome do jurista fascista que o redigiu durante o período mussoliniano. Assim também, as relações entre Estado e Igreja continuaram sob o marco do também mussoliniano “concordato”, sem que a Constituição representasse obstáculo a qualquer daquelas legislações fascistas. Até a discriminação atual dos imigrantes é constitucional.

A Itália inteira sabe: a explosão de Piazza Fontana, em 1969, foi o primeiro de uma série de atentados cometidos por fascistas ou agentes de Estado ligados àGladio (uma organização paralela à OTAN), como parte da strategia della tensione

Walter afirma-se profundo conhecedor da vida política italiana e escreve: پg[na Itália] o terror começou em dezembro de 1969 com a explosão de Piazza Fontanaپh. Não. A Itália inteira sabe que esse atentado, conhecido como strage di Stato (massacre praticado pelo Estado), está na base da chamada strategia della tensione – uma série de atentados (nos trens, em manifestação em Brescia, na estação de trens de Bologna) cometidos por fascistas ou agentes do Estado ligados a uma organização paralela da OTAN, chamada "Gladio", dirigida por Licio Gelli entre outros.

O que fez a Itália supostamente democrática dos anos 1970 – a Itália do tão elogiado presidente Pertini – para salvar as centenas de italianos e milhares de descendentes de italianos que eram torturados e exterminados na Argentina? Será que a seleção nacional italiana se recusou a jogar o mundial argentino por causa disso? Será que Walter sabe nos dar alguma resposta?

A Itália dos anos 1960 e dos anos 1970 era assim: políticos daDemocrazia Cristianamisturados com mafiosos, generais golpistas,logiasmaçônicas, bancos do Vaticano e bombas cegas destinadas a ameaçar o movimento operário e estudantil. Afirmação política que chegou à imortalidade na peça de teatro “Morte acidental de um anarquista” de Dario Fo, Pêmio Nobel literatura. É essa verdade política nossos dançarinos optaram por não revelar a seus leitores.

O primeiro ato violento (armado) da esquerda foi – em 1972 – o homicídio do Delegado Calabresi, acusado de ter defenestrado o anarquista Pinelli para acusar o movimento desse horror. O intelectual Adriano Sofri, na época dirigente do grupo "Lotta Continua" (que tinha 20 mil militantes e publicou ao longo da década um jornal quotidiano do mesmo nome), está pagando, com longos anos de prisão, uma condenação por responsabilidade moral nesse assassinato. E isso não é político? E Feltrinelli, editor, homem de esquerda e amigo pessoal de Fidel Castro, que morreu também em 1972, tentando sabotar uma torre de energia para tentar acordar os grupos de resistência contra as ameaças fascistas? Feltrinelli foi criminoso comum?

Essa verdade política estava na rua, nas manifestações de milhões de italianos ao longo de toda a década. O Estado italiano nunca desvelou as conspirações e cumplicidades que o ligaram à estratégia da desestabilização strategia della tensione. Aliás... por que os ministros italianos fascistas não mandam chamar de volta o embaixador italiano no Japão, para conseguir prender, afinal, um dos acusados por vários atentados?

Mino e Walter não lembram do clima daqueles anos? O golpe militar contra Allende (em 1973), o esmagamento da revolta dos estudantes gregos pelos tanques não teria tido, para eles, nenhum impacto nos movimentos de toda a Europa? Não eram pequenos grupos. Eram manifestações oceânicas, sistemáticas e repetidas, manifestações de rua que diziam: Grecia, Chile: mai piú senza fucile[Grécia, Chile, nunca mais sem fuzil]. O próprio compromisso histórico não foi, pelo menos em parte, fruto do veto norte-americano à chegada ao poder do Partido Comunista Italiano? Para não falar de Ustica: será que Mino e Walter ouviram falar de Ustica?

Se sim, como justificam que o Estado italiano tenha acobertado todos os elementos que indicavam que o avião foi derrubado por um míssil, em acidente que matou 81 pessoas? Por que a Itália nunca chamou o embaixador dos Estados Unidos, quando Washington retirou clandestinamente de território italiano os pilotos militares que derrubaram a cabine de um teleférico (“bondinho”), matando 20 italianos? Por que não se romperam relações diplomáticas com os Estados Unidos quando norte-americanos metralharam um carro do serviço secreto italiano, cujos ocupantes participavam de uma operação de libertação de uma refém em Bagdá, matando um agente italiano e ferindo a refém?

Para além de seus graves erros políticos, na Itália como no mundo todo, o ciclo revolucionário da década de 1970 está presente – inclusive nos governos democráticos de América do Sul. A decisão do ministro Tarso é uma dessas dinâmicas radicalmente democráticas

Por que as mortes ligadas a Battisti seriam mais pesadas de todas as outras? Não é problema de justiça, ainda menos de moral. Trata-se afirmar uma razão de Estado.

A Itália quer afirmar sua razão de Estado como a única, para que ninguém ouse mais contestá-la. Mino e Walter dançam por essa música.

Chegamos assim à terceira argumentação. Mino e Walter tentam demonstrar tecnicamente que Battisti seria delinquente comum. Usando magistralmente os relatórios de polícia (que, diga-se de passagem, denominava-se na época"polícia política"; passando depois a ser designada por uma sigla, DIGOS), Mino e Walter dizem que Battisti teria sido recrutado pelas organizações armadas, depois de ter sido preso por crimes comuns.

Aí, Mino e Walter têm de se decidir, uma coisa ou outra: se na Itália daquela época não havia crimes políticos... quando ter-se-ia dado a mágica de se transformar o crime de Battisti, de crime comum em crime político? Por que os relatórios de polícia tanto se empenhariam para estabelecer o momento e a forma de sua “politização”?

O fato é que Mino e Walter estão constrangidos numa visão da história que – por mais crítica que por vezes seja à histeria anti-Lula da elite brasileira, não tem nenhuma dimensão política. Além disso, tampouco têm capacidade de apreender o papel constituinte das lutas sociais, inclusive quando são violentas.

Será preciso lembrar a Constituição dos Estados Unidos que prevê o direito à revolta contra o poder constituído? Thomas Jefferson, agora, mais um perigoso terrorista?

Bem mais recentemente, em seu discurso sobre a questão do racismo, o atual presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, não reivindicou explicitamente as lutas dos negros, inclusive das revoltas violentas? Não tentou a direita republicana usar contra ele sua relação com um antigo militante dosweathermen(movimento de guerrilha contra a guerra do Vietnam)?

Battisti – e, com ele centenas de milhares de jovens operários, estudantes, desempregados na Itália dos 1970 – participou de um movimento revolucionário, que atacava as bases do sistema de acumulação capitalista e alimentou, até meados dos anos 1970, um processo de libertação que a normalização pós-comunista e pós-fascista ainda não zerou.

Sim, os operários italianos lutavam contra a ordem fabril e contestavam a constituição italiana “fundada sobre o trabalho” — ou seja, sobre a exploração do trabalho. Sim, os novos movimentos contestavam a sociedade disciplinar como um todo e construíram a base da abolição dos hospitais psiquiátricos, das lutas pela democratização das prisões, contra o serviço militar autoritário, pela universalização do acesso horizontal ao ensino superior, pela habitação popular e a gratuidade dos serviços. Essas lutas conquistaram o direito ao divórcio, os direitos das mulheres ao aborto e até as vitórias do Partido Comunista nas eleições municipais de 1975.

Depois, as mesmas lutas foram derrotadas pela espiral dos massacres perpetrados pelo Estado e das respostas armadas que militarizavam o movimento. A repressão desse movimento, pela qual optou a esquerda institucional (por meio do “compromisso histórico”, ou seja, a conciliação com o histórico partido de poder, a Democrazia Cristiana), não significou apenas a derrota do movimento: significou a derrota da própria esquerda.

Um ano depois da grande operação política de repressão do dia 7 de abril de 1979, a Fiat demitiu dezenas de milhares de operários e embarcou na contra-revolução neoliberal que se tornaria hegemônica mundialmente. Resultado: a esquerda institucional italiana não existe mais!

Os pobres que lutam todos os dias – renovando os princípios éticos, ou constituintes, dos direitos e do direito – entendem muito bem que, para além do graves erros políticos da década de 1970, na Itália como no mundo todo, aquele ciclo revolucionário está presente. Inclusive, e sobretudo, nos governos democráticos de América do Sul, nas dinâmicas de radicalização democrática que os atravessam. A decisão do ministro Tarso é uma dessas dinâmicas radicalmente democráticas."


domingo, agosto 23, 2009

Reificação



Num muro perto de casa alguém escreveu: "Consumidor, el consumo te consumirá".
A transformação de tudo que está a nosso alcance em objetos passíveis de serem consumidos revela cenas impressionantes.
As imagens foram feitas no museu de Orsay, frequentado por milhares (ou seriam milhões?) de turistas de todas as partes do mundo. Em grande medida, neste dia, os turistas eram da parte que se costuma chamar "primeiro mundo". E a imensa maioria repetia o mesmo ritual diante dos milhares de quadros expostos: zoom automático, tecla de capturação de imagem e um breve sorriso de satisfação. Alguns até fotografavam as referências da obra. Havia outros que queriam ser fotografados ao lado dos quadros e esculturas.
Eu observava aquilo tudo enfadado e ficava me perguntando se eles iriam ver aquelas imagens de novo quando voltassem para as suas casas.
Não acredito que houvesse qualquer interesse em ver essas imagens de novo, pois elas não foram vistas da primeira vez. Aquele foi apenas um momento de consumir o objeto pela objetiva digital e transormá-lo em megapixels.
No fim das contas não dá pra saber mesmo quem é o objeto e quem é o consumidor. Ambos acabam consumidos.

domingo, setembro 28, 2008

Machado de Assis


Há exatamente 100 anos, morria no Rio de Janeiro o “Bruxo do Cosme Velho”. Uma singela homenagem do CIVITATES ao Autor de Dom Casmurro, com a transcrição de uma poesia publicada no livro Crisálidas, de 1864.

Êrro

Êrro é teu. Amei-te um dia

Com esse amor passageiro

Que nasce na fantasia

E não chega ao coração;

Nem foi amor, foi apenas

Uma ligeira impressão;

Um querer indiferente,

Em tua presença, vivo,

Morto, se estavas ausente,

E se ora me vês esquivo,

Se, como outrora, não vês

Meus incensos de poeta

Ir eu queimar a teus pés,

É que, – como obra de um dia,

Passou-me essa fantasia.

Para eu amar-te devias

Outra ser e não como eras.

Tuas frívolas quimeras,

Teu vão amor de ti mesma,

Essa pêndula gelada

Que chamavas coração,

Eram bem fracos liames

Para que a alma enamorada

Me conseguissem prender;

Foram baldados tentames,

Saiu contra ti o azar,

E embora pouca, perdeste

A glória de me arrastar

Ao teu carro... Vãs quimeras!

Para eu amar-te devias

Outra ser e não como eras...

Machado de Assis

segunda-feira, junho 30, 2008

La final de la Libertadores, en su Civitates


La partida final de la Libertadores de América se vá a disputar en el próximo miercules, dós de júlio, entre Fluminense y la Liga Deportiva Universitária (LDU). Aunque este Civitates no vay a estar en el Maracanã, el hermozo estádio brasileño, haciendo la transmissión em directo de la partida, és seguro que vamos a poner siempre, en este blog, las más actualizadas informaciones siempre que esto sea possible (y por supuesto que van a ser observados los más rigurosos critérios de imparcialidad, incluso el lenguaje, por supuesto). Por ora lo que tenemos es:

* contrariando una costumbre nacional de torcer siempre por los equipos más fraquitos, algunos torcedores cariocas, más exactamente unos 83% de ellos, han criado un movimiento denominado "Liga Dos Urubus" (LDU) para impulsionar la equipo de maior torcida en Brasil, el LDU equatoriano.

* El astro Guerrón, que los equatorianos han jurado ser mejor que el atacante camaronés Samuel Eto´o (que por su vez és cariñosamiente llamado por la torcida del Barcelona de "Obina Catalão"), há llegado en el aeropuerto de Rio de Janeiro vestindo la camisa de un conocido rival del Fluminense (la foto, arriba).
Para leer más: acá!

quarta-feira, junho 18, 2008

sábado, abril 12, 2008

Sábado Piriguete



Nada como um bom sábado.
Dia em que sigo rigorosamente os preceitos judaicos, mesmo não sendo judeu, e não faço absolutamente nada. Nada a trabalho, deixemos claro.
Não há horários, nem rotina.
Todos os esquecimentos são permitidos e incentivados.
Música só do programa "The swingin years" na KKJazz.
Um dia perfeito...
... quase perfeito...
Há sempre uma festa infantil no condomínio que pode estragar tudo.
O temor pelas festas infantis começa na sexta à tarde quando vejo o furgão do "Mundo da Criança" estacionando no pátio da área de lazer. O armamento é pesado: cama de mola, balões, línguas-de-sogra, e outros artefatos militares.
Se não vejo as manobras do inimigo, é no sábado às 8h que descubro que estou sendo atacado.
A maldita cama-de-mola!!! É impossível não torcer para que ela estrague, que aquilo se estire e todos percam o interesse em ficar pulando horas a fio.
Mas quando penso que vai ser sempre do mesmo com gritarias, brigas, choros, o inimigo me surpreende e usa armamentos com alto potencial destrutivo e de efeitos psicológicos incalculáveis.
Foi o que aconteceu nesta manhã.
A tortura psicológica tem letra e música (?): Piriguete. E permite reavivar a discussão do perfil sócio-econômico da prostituta brasileira.
Os pais de uma garotinha de cinco anos devem ficar profundamente orgulhosos de ver sua filha rebolando o funk (?) da Piriguete. É uma imagem que nunca mais vai sair de suas cabeças, com certeza!
Vejam que riqueza poética nos oferece o DJ (?) Thiago nos seus versos com composição (?) de Mc Papo:

Piriguete

DJ Thiago

Composição: Mc Papo

Piriguete – Nópa flagra aquela mina! Mó Pirigute velho. – É Speedy se liga nessa idéia aqui então. (Refrão)

Quando ela me vê ela mexe piri pipiri pipiri piri piriguete rebola devagar depois desce piri pipiri pipiri piri piriguete

Quando ela me vê ela mexe piri pipiri pipiri piri piriguete rebola devagar depois desce piri pipiri pipiri piri piriguete Mini-saia rodada, blusa rosinha decote enfeitado com monte de purpurina

Ela não paga, ganha cortesia

Foge se a sua carteira tiver vazia

Vai na Micareta vai no Pop Rock

Festa de axé ela só anda de top

Ela usa brilho, piercing no umbigo

Quando toca reggaeton quer ficar comigo?

Quando ela me vê ela mexe piri pipiri pipiri piri piriguete rebola devagar depois desce piri pipiri pipiri piri piriguete

Foto de espelho na exibição

Ela curte funk quando chega o verão

No inverno essa mina nunca sente frio desfila pela night com short curtinho

157 de marido

ela gosta é de cara comprometido

Não tem carro, anda de carona

Ela anda sexy, toda guapetona

Ela não é amante, não é prostituta, Ela é fiel, ela é substituta


Ei governador, lá em Salvador, Rio de Janeiro, Santos e BELÔ todo mundo já conhece, sabe o que acontece quando vê a gente ela se oferece. Mexe o seu corpo como se fosse uma mola Dedinho na boquinha, ela olha e rebola. chama atenção, vem na sedução, essa noite vai ser quente eu vou dar pressão.


Só não vou linkar o endereço da música. Aí seria demais pro meu sábado...


Adendo às 18h25:

Para completar o sabadão nada como o torneio no campinho do Corintians e a balada/rave funk/hip hop/eletrônica do vizinho.

Será que isso pode piorar???

segunda-feira, setembro 10, 2007

A Parada da Diversidade em Floripa


Neste último domingo (09/09) ocorreu em Floripa a Parada da Diversidade, evento que existe em várias cidades do país e que contou com a participação de cerca de 30 mil pessoas (de acordo com o Diário Catarinense) ou 20 mil (de acordo com estimativa da Polícia Militar).
Seja qual for o número de participantes, a Parada da Diversidade (com o tema "amar é direito de todos") é um evento que marca uma temática social de grande importância: o preconceito contra os que apresentam opção sexual diversa da hetero, já que o movimento é organizado por associações GLBTS (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e simpatizantes).
Apesar da importância da mensagem e da consolidação do espaço ocupado pelo movimento, alguns moradores de Floripa ficaram indignados com o fechamento da Avenida Beira-Mar e conseqüente transtorno ocorrido no trânsito da capital catarinense.
O ruído foi tão grande que nos jornais da cidade, o preconceito e sua superação (mensagem do movimento) ficaram de lado para o debate do (nessa hora tão lembrado) "direito de ir e vir". Ora, ora, ora... A Parada da Diversidade não é apenas uma festa. É um ato político e o espaço para a manifestação pública é a RUA (ou avenida, ou praça ou algo que o valha).
Se o evento já tinha pretensão de atrair tanta gente, o que deve ser criticada é a atuação do Poder Público local em não conseguir organizar o trânsito durante o evento. Agora, imaginar que os eventos públicos devam ser levados para "áreas apropriadas" (como a Passarela Nêgo Quirido ou quem sabe um Estádio de futebol) é tratar mais uma vez o efeito como causa. Lembra idéias geniais como fazer manifestações políticas (greves, atos, protestos etc.) sem causar "transtorno à população". Ao que parece, quando a manifestação ocorre é porque o transtorno já existe.
O problema, portanto, não é a Parada. O problema é entender que a cidade é um espaço de convivência e que a tolerância deve ser exercitada a todo momento. É assim com todas as manifestações públicas, como o carnaval, a conquista de um título no futebol, do Guga no tênis, com as greves, entre tantos outros (concordando ou não com cada um desses eventos).
O poder público local não conseguir organizar o trânsito (é bom que se diga) também é um problema, mas pode ser resolvido com alguma faciliade. Assim, para finalizar, espero que no próximo ano a Parada ocorra normalmente e que o trânsito esteja melhor organizado, para que todos possam passar com os seus carros de forma tranqüila pela Avenida Beira-Mar. Acho que é o suficiente para direcionar os olhares para o que realmente importa.

sexta-feira, junho 22, 2007

Rica pobreza


Na "Grande" Florianópolis* temos atualmente 22 salas de Cinema.
Nessas salas estão em cartaz os seguintes filmes, em diferentes horários:
1. Sherek 3 - 9 salas (Cinemark, Cinesystem, Beira-Mar, Itaguaçu)
2. Piratas do Caribe 3 - 5 salas (Cinemark, Cinesystem, Beira-Mar, Itaguaçu)
3. Treze Homens e um novo segredo - 5 salas (Cinemark, Cinesystem)
4. O quarteto fantástico e o surfista prateado - 5 salas (Cinemark, Cinesystem, Beira-Mar, Itaguaçu)
5. Homem Aranha 3 - 1 sala (Cine York)
6. Um Crime de Mestre - 1 sala (Itaguaçu)
7. A Estranha Perfeita - 1 sala (Cine York)
8. Totalmente Apaixonados - 1 sala (Cinesystem)
9. Não Por Acaso - 1 sala (Cinesystem)
10. Maria - 1 sala (CIC)
11. Hércules - 1 sala (CIC)
12. O Tigre e a Neve - 1 sala (CIC)
13. Chanchun son Cinéma - 1 sala (CIC)


Diversidade cultural:
Essa é a diversidade cultural que temos à disposição na "Grande" Florianópolis quando o assunto é a sétima arte.
É pouco, não é?
A campeã da diversidade cultural:
O CIC, apesar de todos os problemas (cadeiras desconfortáveis, carpê mofado, teto caindo, ar-condicionado estragado, etc, etc, etc) continua como a sala de cinema mais diversificada entre todas as da região.
Filmes nacionais:
Olha só, dois filmes tupiniquins em cartaz!!!
Sucessos de bilheteria:
As grandes redes exibem os filmes "sucessos de bilheteria".
Um sucesso fabricado com maciços investimentos em propaganda e marketing, principalmente para o público infantil e suas guloseimas.
Mas o retorno é garantido!
Basta controlar as salas de cinema.
Ê vida de gado!!!


* Coloquei entre aspas porque a meso-região de Florianópolis não é tão grande, nem tão pequena. A sua área de abrangência compreende os municípios de: Águas Mornas, Angelina, Anitápolis, Antônio Carlos, Biguaçu, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Palhoça, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, São Bonifácio, São Pedro de Alcântara e São Joséperatriz, Palhoça, Anitápolis, São José e São Bonifácio. Estima-se que a população dessa meso-região seja de aproximadamente 1 milhão de pessoas.



** Não incluí, propositalmente, nessa contagem os Cineclubes, pois quero comparar as programações separadamente.


domingo, junho 10, 2007

Ariano Suassuna e o Movimento Armorial


"1 - Arautos armoriais
Lá pelos idos do quadrante do ano setenta, do século vinte, mais precisamente em dezoito de outubro, respaldado e desenvolvido em ambiente universitário, um cambrião visionário nordestino (imagine!), o mais que pernambucano nascido em Taperoá, Paraíba - é n(o) fim do mundo?! Valei-me, meu Deus, para sempre seja louvado! - um cabra de esquerda assumido e, em pleno topete da sanguinolenta “ditacuja”1, ajuntado com outros “comparsas”, sacode no Brasil-Mundo uma revolução: realizar uma arte sabida brasileira a partir da utilização da rica cultura popular nordestina (ôxe, é muita pretensão!). Foi um alvoroço só, Virge Maria! A santa não foi a padroeira, mas foi louvada e aclamada em várias facetas dos pecadores... Se não lhes “perdoou”, protege-os de alguma maneira... "

(clique aqui para ver a imagem ampliada e aqui para acessar o conteúdo completo desse repente proseado)

Antes do feriado queria escrever sobre Ariano Suassuna e a sua defesa intrasigente da cultura popular e da identidade brasileira.

A quantidade e a qualidade das informações que encontrei me obrigou a postergar a postagem que somente hoje consegui redigir. Ainda assim vou ter de publicar outras postagens relacionadas com o movimento.

Falar de Ariano Suassuna é falar do Nordeste. Região tão desconhecida do sulista mediano (se é que podemos afirmar sua existência) que não é raro se ouvir por estas bandas manifestações preconceituosas e até racistas sobre "os nortistas" (tamanha é a ignorância geográfica que habita alguns seres humanos que se acham superiores aos demais). Mas deixo esse assunto para um outro momento.

Não sou nordestino de nascença, nem minha família. Mas tive a oportunidade de viver na Paraíba dos sete aos nove anos de idade (início da década de 1980), numa cidade no alto da serra que separa a zona-da-mata do agreste, chamada Areia (no anel do brejo).

O choque cultural foi tão significativo que nem o tempo consegue apagar da mémoria o gosto da tapioca de queijo coalho, do milho assado, da carne-de-sol com macaxeira, do jambo, da rapadura e da caninha dos engenhos seculares; a quadrilha, a fogueira, o mingau, o cural, a Festa Junina; o xote, o xaxado, o forró e o frevo; os anjinhos em contidianas procissões de caixões brancos pequeninos, vítimas da miséria e da concentração de renda; as orações das freiras do Colégio Santa Rita: "Senhor, dai pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão!".
Por essas razões me considero nordestino também.
Na obra de Ariano Suassuna consigo reencontrar essa infância, o nordeste, a cultura popular, os contrastes da vida do sertanejo, que antes de tudo é um forte (Euclides da Cunha - Os Sertões).
Parte dos esforços feitos por esse grande dramaturgo se traduziram em um movimento cultural chamado Armorial. Felizmente podemos acessar parte da produção do movimento pela internet. O site é primoroso. Na página de abertura há duas opções. Uma remete aos primórdios do movimento e a outra apresenta os 35 anos de produção cultural.
A navegação é facílima e instigante. Lá se pode ler trechos de cordeis, acessar pinturas, desenhos, animações, gravuras, etc.
É um site arretado!
Reproduzo mais um trecho do repente para que vocês saibam mais sobre o Movimento Armorial:
"2 - Arautos harmoniais
Mais ou menos na metade do mês de outubro de dois mil e cinco, mas já podendo precisar ao certo, no período de dezessete a vinte e oito de outubro, a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), por meio da Agência Experimental em Relações Públicas (Agerp), apresentou o projeto multidisciplinar: O Romance de um Romanceiro Arengueiro ou A Eterna Peleja de um Cabra Sabido em Busca de uma Identidade Nacional ou Harmonia Armorial, 35 Anos em Movimento.
(Em 18 de outubro de 2004 foi realizado o evento Armorial – movimento preliminar dos 35 anos, onde foi feito o lançamento do vídeo A Música Armorial: do experimental à fase arraial, de Ana Paula Campos, egressa de Relações Públicas. O evento contou com a participação de Ariano Suassuna.
O feito foi uma homenagem ao Jubileu de Coral do Movimento. A Unicap utilizou-se do seu ensino, pesquisa e extensão e, mais uma vez, escancarou suas portas para os saberes acadêmicos com interferências qualitativas de ajudas (mútuas) socioculturais ...
“A Unicap não está somente situada no Nordeste: está voltada para ele: - (...) - para sua riqueza, cultura e valores éticos de sua população.[Sua] concepção de ensino, pesquisa e extensão parte da realidade, variada e complexa; busca uma fundamentação teórica e instrumentos de análise para entendê-la; processos e técnicas para intervir na realidade a fim de transformá-la. [...Além de] formar o espírito científico dos alunos, - não só fornecer-lhes informações, mas incitá-los a pensar por si mesmos, criticar as opiniões recebidas e a buscar o conhecimento.
(...) Ao mesmo tempo, a Universidade incentiva a criatividade de seus alunos, a abertura do espírito em relação a outros saberes pela interdisciplinaridade, e a abertura aos problemas da região e da cidadania, através de uma prática ética e consciência social”14. Plantar ações, utilizando valores que retratam a cultura do povo, de um povo, é produzir e colher re(conhecimento) social, é ter responsabilidade social.
A partir dos seus ensinamentos e preceitos, foi realizada uma leitura, retrospectiva... dos principais motes do Movimento - releitura e desenvolvimento de ações à luz do conhecimento e da realidade intelectual produzida na universidade.
O mote foi contado a partir da realidade dos cursos de dois Centros, das unidades comunitário-artístico-culturais, egressos da Unicap e personalidades convidadas.
As ações multidisciplinares realizadas no Harmonia foram idéias, sugestões adequadas e desenvolvidas por alunos ou grupos, egressos, professores e convidados; o produto final, portanto, é de autoria coletiva.
Tudo o que é refinado, lapidado, clássico, erudito, originou-se do cru, do rude... do povo e de sua cultura. A comunidade unicapiana (discentes, docentes, pesquisadores, administradores, religiosos, prestadores de serviços) saboreou dessa arte e convidou outros “meus senhores todos [... e minhas] senhoras também”15 para provar do tempero e não serem engolidores de qualquer coisa!
Este parco repente proseado foi um desacato e uma homenagem ao des(entendimento) de muitos brasileiros que não querem enxergar (mesmo tendo o mínimo de conhecimento) a pelo menos um palmo dos seus “ói” e àqueles que valorizam e velam os valores consuetudinários da cultura nordestina, respectivamente. Os afazeres não foram regionalistas, mas os que irão arvorar-se na saga do h(armorial) irão bebê, cumê, degustar de (uma) cultura regional-brasileira-universal, legítima, original.
" (grifo acrescentado)