domingo, agosto 30, 2009

A "cabana" do Belchior



Tem que rir pra não chorar. Não bastasse a presepada do fantástico ao dar por desaparecido o compositor Belchior, o Ultimo Segundo publica que ele está morando numa cabana no Uruguay. Ao ler o título da matéria fiquei imaginando algo como uma casinha de sapé, ou um quiosque com paredes, ou até mesmo aquelas cabanas dos filmes de faroeste da sessão da tarde da década de 70-80. A essa altura a imagem de Belchior que guardava na memória se transformava em uma espécie de hippie ou de um apache. Li novamente o título e me lembrei que no Uruguai e Argentina existe uma palavra muito semelhante a cabana, cabaña. Pronto, o falso cognato poderia desfazer a confusão no meu imaginário. Consultado o dicionário da Real Academia de España (está disponível on line) encontrei no seu sétimo significado a confirmação da minha hipótese: cabaña. (Del lat. capanna, choza, de capĕre, caber). 1. f. Construcción rústica pequeña y tosca, de materiales pobres, generalmente palos entretejidos con cañas, y cubierta de ramas, destinada a refugio o vivienda de pastores, pescadores y gente humilde. 2. f. Conjunto de los ganados de una hacienda, región, país, etc. 3. f. Recua de caballerías que se emplea en portear granos. 4. f. En el juego de billar, espacio dividido por una raya a la cabecera de la mesa, desde el cual juega el que tiene bola en mano. 5. f. Pint. Cuadro en que hay pintadas cabañas de pastores con aves y animales domésticos. 6. f. Am. Casa pequeña de una sola planta que se suele construir en parajes destinados al descanso. 7. f. Arg. y Ur. Establecimiento rural destinado a la cría de ganado de raza. ~ real. 1. f. Conjunto de ganado trashumante propio de los ganaderos que componían el Concejo de la Mesta. Alguns podem achar que se trata de um erro banal, corriqueiro. Não sei. Se fosse um caso isolado, ainda vá. Mas esses e outros erros são tão freqüentes no jornalismo brasileiro atual (grande mídia que quer ser "A" opinião pública) que não dá pra tolerar. Fico pensando que erros grosseiros como esses podem ser percebidos e criticados pelos leitores, mas os mais refinados podem muito bem passar em branco e se tornarem "grandes verdades". Afinal de contas, o que é só um errinho?

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