segunda-feira, junho 28, 2010

Chapa tucana: com que armas? próprias, mercenárias, auxiliares ou mistas?





Digo, pois, que as armas com as quais um príncipe defende o seu Estado, ou são suas próprias ou são mercenárias, ou auxiliares ou mistas. As mercenárias e as auxiliares são inúteis e perigosas e, se alguém tem o seu Estado apoiado nas tropas mercenárias, jamais estará firme e seguro, porque elas são desunidas, ambiciosas, indisciplinadas, infiéis; galhardas entre os amigos, vis entre os inimigos; não têm temor a Deus e não têm fé nos homens, e tanto se adia a ruína, quanto se transfere o assalto; na paz se é espoliado por elas, na guerra, pelos inimigos. A razão disto é que elas não têm outro amor nem outra razão que as mantenha em campo, a não ser um pouco de soldo, o qual não é suficiente para fazer com que queiram morrer por ti. Querem muito ser teus soldados enquanto não estás em guerra, mas, quando esta surge, querem fugir ou ir embora.
(O Príncipe - Capítulo XII)

Lendo as matérias sobre o racha na candidatura de José Serra, a partir do momento em que Álvaro Dias foi anunciado como o candidato a vice na chapa - agora - puro-sangue tucana, fico me perguntando quais os benefícios que a candidatura oposicionista poderia ter com essa decisão.
Pelo modo como se deu o anúncio - via twitter de Roberto Jefferson e sem o conhecimento do DEM - cogito se não se tratra de um golpe interno. Essa hipótese está assentada no fato de que nenhum dos twitteros é iniciante na política partidária nacional, muito menos políticos incompetentes.
Todavia a pergunta persiste: o que o PSDB ganharia ao passar a perna no DEM?
Mais tempo de televisão não é. Muito pelo contrário, sem os Democratas haveria uma redução significativa do tempo de televisão da candidatura tucana (Dilma ficaria com 65% e Serra com 29% do total). A situação pioraria mais se o DEM decidisse lançar candidato próprio (Serra cairia de 6'46" para 4'38", enquanto Dilma permaneceria com 8'). Um verdadeiro desastre para quem quer vencer uma candidatura apoiada por Lula e seus 85% de aprovação popular.
Qual seria então a vantagem tucana?
O DEM pode estar num "mato sem cachorro" e decidir ficar onde está para não perder mais do que perderia se decidisse caminhar por conta própria. Para o PSDB seria o golpe perfeito: o DEM perde a vice, mas não sai da coligação. Isso também tem lá suas razões. O Democratas vem encolhendo eleitoralmente desde 2002 e quando consegue ocupar um cargo de maior destaque passa das páginas políticas para as policiais (o último governador democrata quem o diga!). A maior riqueza partidária do DEM, então, seriam seus minutos na propaganda política.
A perfeição do golpe só não supera outra dúvida. Provocar toda essa movimentação de bastidores, descontentar lideranças de um lado e de outro, não colocaria a candidatura tucana em risco?
Nem seria risco de perder as eleições, pois a última sondagem de opinião não lhe confere a diantera da preferência dos eleitores. Risco de ter um resultado pior do que o obtido por Serra em 2002 (38% no segundo turno), numa derrota acachapante no primeiro turno.
Essa questão do risco faz surgir outra hipótese, secundária. O norte da candidatura tucana está ao sul e o projeto político dos partidos da coligação - PPS-PSDB-DEM - tenta salvar candidaturas parlamentares para criar um bloco político que possa fazer frente a uma possível onda Lula-Dilma.
Mas... a pergunta se mantém. Por que Serra iria para o sacrifício?
Pra essa pergunta eu não tenho, absolutamente, nenhuma hipótese.

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