terça-feira, outubro 05, 2010

Política Tabajara - Marcelo Madureira - fala o que acha do Lula - o que nem todo mundo tem c...


O comediante defende uma tese interessante: a desmoralização da política.
Pra ele a política é arte nobre. A mais nobre arte do ser humano. Atualmente ela só atrai vagabundos, picaretas, a começar pelo Presidente Lula.
Segundo ele, nós demoraremos gerações para percebermos que Lula é um impostor.
E estava, o comediante, falando sério.

Acredito na seriedade das suas palavras porque a moral que ele defende para a política, essa moral da "arte nobre", me remete à sociedade de Corte, da etiqueta, dos bons costumes.
Dessa sociedade a "vagabundagem" sempre foi excluída.
Sejam os vagabundos analfabetos, os vagabundos operários, os vagabundos professores, as vagabundas donas-de-casa, vagabundos picaretas, vagabundos aposentados, entre outros vagabundos e vagabundas.
É traço marcante da nossa divisão de classes o abismo de desigualdade entre os nobres ricos e os pobres vagabundos.
Saber que o comediante considera Lula um impostor, para mim, causou alívio.
Se ele começasse a elogiar o Lula porque 28 milhões de pobres vagabundos passaram a fazer parte da classe C - de renda familar -, ou porque Lula conseguiu, por meio do Bolsa Família, retirar 17 milhões de miseráveis vagabundos que estavam abaixo da linha da pobreza para colocá-los em padrões mínimos de sobrevivência, ou, ainda, se ele comemorasse o fato de que 14,6 milhões de picaretas tiveram suas carteiras de trabalho assinadas nestes 8 anos... ... isso tudo, sim, me causaria uma enorme preocupação.
Preocupação em saber se eu estaria me deixando enganar pelo fato de que aquele que defende uma sociedade em que os nobres definem a moralidade da vida política e dividem a sociedade entre eles e os vagabundos e picaretas, poderia defender ao mesmo tempo uma sociedade entre iguais.
Ainda bem que o comediante foi sério em dizer tudo que disse.
Mais sério, ainda, em assumir o papel de futurólogo ao prever que demoraremos gerações para perceber essa impostura.
Nesse novo papel ele ficou mais parecido com sua ocupação principal.


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