domingo, maio 27, 2007

Marie Antoinette

Escrito e dirigido por Sofia Coppola, Marie Antoinette poderia muito bem se chamar "Sonhos de uma adolescente americana em Versailles".
Abrir o Castelo de Versailles para um malhação movie é um desserviço para a preservação do patrimônio histórico.
A dinheirama que se gastou nessa porcaria poderia servir para algo muito melhor. E ainda ganhou prêmios: "Academy awards" e "Oscar"! Impressionante!
Não assistam!!! Não se iludam com o "Oscar" de melhor figurino!!
Acessem o site do Château de Versailles, clique aqui, é muito melhor!!!



2 comentários:

Nördlich disse...

O senhor foi muito vago. Será que não poderia explicitar um pouco mais os motivos pelos quais este filme é tão ruim?

Adriano De Bortoli disse...

Caro nördlich,
motivos pelos quais Marie Antoinette de Sofia Coppola é tão ruim:
1 - malhação movie: o roteiro elaborado pela filha do Coppola é uma tentativa de transportar o padrão comportamental dos adolescentes consumistas americanos para personagens que só existem em razão de suas biografias, e, portanto estão vinculados a elas e às circunstâncias culturais da época em que viveram. Nesse ponto, um filme que se pretende biográfico limita as possibilidades de criação das personagens. Pois, de outra forma, é melhor inventar uma personagem que vivia num lindo castelo na França do séc. XVIII e ignorar completamente as referências históricas. Essa fórmula é muito usual e cai bem no gosto do cinema comercial, tendo em vista o conhecimento superficial de história geral. O publico passa "compreender" melhor o que se passa no filme, pois as personagens lhe sao familiares;
2 - comédia pastelão com recheio de queijo com goiabada: outro ponto desfavorável marcado pela filha do cineasta holywoodiano. Um Luís XV fanfarrão e cheio de piadinhas de velhaco texano; um Luís XVI boiola e medroso; uma Marie Antoinette romântica, consumista, letrada (cita Rousseau!), "bohemia" do Trianon, infiel, mas profundamente uma adolescente fã da Paris Hilton. Uma história de amor com um oficial do exército francês, que não se sabe ao certo se morreu ou não, se foi o pai de alguns dos filhos da Rainha (já que o Luís XVI não comparecia). Bom, nessa mistura toda o filme se perde. Vira uma novelinha das seis;
3 - Oui, monsenior, we speak english! Os franceses com certeza devem ter adorado um filme completamente falado em inglês com algumas expressões como bonjour, oui, je ne parle pa, mon cherri, pra lembrar que era em Versailles que se passava a história e que Versailles fica na França;
4 - o figurino: os elogios da crítica (não de cinema, mas de moda) se voltaram para algo que, no mínimo, é tangencial. E se não fosse o cenário do Chateau de Versailles, não se sustentaria por si mesmo. O curioso é ver um tênis All Star azul, propositadamente, ao lado da coleção de sapatos da delfina (?). Mais uma da Coppola, tendando associar símbolos dos adolescentes americanos consumistas ao ambiente do primeiro Estado francês moderno: "Vejam, Marie Antoinette era igual a vcs, gostava de ter calçados de "marca", divertia-se provando inúmeras roupas, tomando champagne e comendo "candies";
5 - trilha sonora: quando o filme se inicia a impressão é que vc errou a sala de cinema. O pop rock americano (nada contra o rock, diga-se de passagem. Já, quanto ao pop, ergh!) é o fio condutor de vários momentos. De repente um pouco de mozart? Não, apenas uma musiquinha tocada num cravo para dar um ar mais adequado `aqueles tempos.
Bom, fico por aqui.
Indico, para os interessados naquele periodo historico "La Nuit de Varennes" e "Danton". Dois, excelentes filmes.
Continuo com a nao recomendacao e cito o proprio site oficial do filme para encerrar: "In this place, she has created a moving story of adolescent angst and spirt that transcends its time. Coppola's strikingly personal vision and imaginative visual style re-imagines Marie Antoinette and entire court of Versailles trough the lens of today's popular culture."
Adriano