sábado, junho 23, 2007

Uma homenagem ao bom jornalismo: Mino Carta





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Cansado da campanha contínua dos principais meios de comunicação pelo restabelecimento da Ordem estamental que resiste às mudanças que o regime democrático e republicano traz consigo, reproduzo uma postagem em homenagem ao bom jornalismo. Condição necessária para a formação da Opinião Pública e para a Democracia.

O jornalista Mino Carta pode ser lido no blog do Mino e na Carta Capital.


Lamarca

Jornal do País não leio, revista semanal também, Jornal Nacional não assisto. Há quem me informe a respeito, a me chamar a atenção para texto ou tela escolhidos. Somente hoje li o editorial da Folha de sexta-feira passada, intitulado “O caso Lamarca”. E o editorial do Estadão de sábado, intitulado “Prêmio ao facínora desertor”. E um brevo texto da última edição de Veja, intitulado “O Bolsa-Terrorismo”.
Segundo a Folha, a decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça representa um prêmio à deserção, a qual, se bem interpreto, justificaria o fuzilamento. É da percepção até do mundo mineral que Lamarca não foi desertor. Se quiserem, amotinado. A quem sustenta que a pena de morte se condiz a desertores, sugiro, em dias de lazer, a visão de um filme de Stanley Kubrick, Glória Feita de Sangue. Conta uma história de deserção da Primeira Guerra Mundial. Segundo o Estado, o propósito de Lamarca desertor, terrorista, torturador e assassino, era implantar no Brasil uma ditadura mais cruel e liberticida do que a que desabara sobre nós com o golpe de 1964. O jornal chega a evocar com simpatia adversários do regime militar que “contribuíram para o processo de redemocratização” e define como “memorável” o movimento das Diretas Já. Esquece ter implorado o golpe e condenado o movimento.
A Veja atinge o paroxismo. Lamarca “foi morto em combate por militares que cumpriam o dever de detê-lo”, mas o “terrorista” é agora “transubstanciado” em mártir nacional. Papa Ratzinger gostaria deste verbo, transubstanciar. Quanto à comissão de anistia, “parece movida pela ideologia de esquerda”. Em geral, os editoriais e o artiguete de Veja evidenciam o sabujismo tradicional em relação às Forças Armadas. E algo mais. A forma e o conteúdo, o tom e a letra, mostram que o tempo não passou.
Não se trata de tomar o partido da ditadura ou de Lamarca. Bastaria, quem sabe, admitir que este foi resultado daquela. E que a ditadura, a ser condenada in limine por espíritos autenticamente democráticos, foi um monstruoso passo atrás na história brasileira, pelo qual pagamos até hoje. Ocorre, porém, a julgar pelas reações da chamada grande imprensa, que os chavões oligárquicos continuam alerta. Só falta convocar a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.

enviada por mino"

*Informações sobre a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade podem ser acessadas aqui.
** As imagens são de panfletos e de telegrama produzidos pelos ideólogos do golpe. O método utilizado na imprensa atualmente não é mera coincidência.

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