segunda-feira, outubro 08, 2007

Civitates Entrevista: Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social


Já comentamos aqui o lançamento nacional da campanha "Concessões de Rádio e TV: quem manda é você". O Civitates entrevistou, por email, um dos representantes do Intervozes, responsável, junto com outras ONG's, pela organização e promoção da campanha.

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, começou suas atividades em 2002 e é uma organização que luta pela efetivação do direito humano à comunicação. Reúne ativistas, profissionais e estudantes de Comunicação Social. Em 2003, tornou-se uma associação civil sem fins lucrativos e possui membros distribuídos em 15 estados brasileiros.

João Brant, nosso entrevistado, é membro da Coordenação Executiva do Intervozes, graduado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com mestrado em Regulação e Políticas de Comunicação pela LSE - London School of Economics and Political Science, e autor, junto com outros quatro pesquisadores, do livro “Comunicação Digital e a construção dos commons”. É um militante do Intervozes e da luta pela democratização das comunicações no Brasil.
Leia a entrevista:
CIVITATES: Qual a expectativa do Intervozes com relação aos resultados da Campanha "Concessões de Rádio e TV: quem manda é você"?
João Brant: Temos quatro objetivos principais nessa campanha: sensibilizar em relação ao tema, denunciar as irregularidades, intervir pela transformação da legislação em relação às concessões e ampliar a pressão popular. Com a realização de atos públicos em 16 capitais, já foi possível colocar o debate minimamente em pauta para setores que nunca o haviam feito. O que nos parece fundamental é mostrar que o cenário atual é indefensável, até mesmo do ponto de vista daqueles que defendem uma regulação liberal, simplesmente para controlar os mercados. Ainda não dá para ter uma mensuração clara do cenário e dos efeitos que a campanha pode ter, mas acho que estamos num momento propício, por conta do vencimento de algumas concessões, da entrada no ar da Record News e da existência da subcomissão presidida pela Deputada Luiza Erundina, que tem pautado o tema e tornado claro a necessidade de mudanças.
CIVITATES: A campanha está recebendo alguma atenção da grande mídia? É possível superar a natural aversão dos grandes meios de comunicação com relação a uma campanha desse tipo?
João Brant: Por incrível que pareça, a cobertura não está tão fraca, especialmente nos meios impressos. O grande problema é que a mídia não está disposta a fazer o debate sobre o mérito da questão. Ela pode até noticiar que as entidades estão fazendo a campanha, mas eles dificilmente vão debater os critérios, o processo de renovação etc. A cobertura será pior quanto mais o veículo fizer parte de conglomerados que detêm concessão. Isso fica claro pela pesquisa realizada pela ANDI ( http://www.andi.org.br/ ) sobre como a mídia cobre as políticas de comunicação. Não dá, no entanto, para simplificar os motivos pelos quais a mídia não cobre o tema. O mais óbvio - e certamente um dos mais relevantes - é o interesse próprio, tanto político quanto econômico. Mas há outros dois importantes fatores, sobre os quais podemos ter mais governabilidade: um é a falta de informações - boa parte dos jornalistas sabe muito pouco sobre o tema, e tem dificuldade de se aprofundar; outro é uma combinação de corporativismo com preconceito - os jornalistas não querem ser notícia, não querem se expor, e tomam com preconceito qualquer notícia de regulação sobre o tema, tomando tudo como 'controle'. Sobre esses dois aspectos, é possível agirmos.
CIVITATES: Vocês acreditam na realização de uma verdadeira Conferência Nacional de Comunicações, plural e democrática, por iniciativa do Ministério das Comunicações?
João Brant: Acho que não é uma questão de crença. Há uma luta permanente de um amplo leque de entidades para que essa conferência aconteça. Já que o governo não tem iniciativa de realizar a Conferência, isso depende de pressão política. Já avançamos bastante, hoje o quadro é bem mais favorável do que há seis meses, justamente pelas ações todas que foram tomadas, com especial destaque ao Encontro Nacional de Comunicação de junho, às audiências que têm sido realizadas e à participação crítica na Conferência promovida pelo Ministério das Comunicações. A meu ver, a campanha pelas concessões ajuda a evidenciar a necessidade de mudanças na legislação e da necessidade de implementação de políticas públicas, e fortalece a luta pela Conferência. Acreditamos na campanha das concessões como mais um impulso em direção à Conferência.
CIVITATES: O Civitates agradece imensamente a entrevista de João Brant e o inestimável apoio do jornalista Octávio Penna Pieranti no contato com o entrevistado.

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