quarta-feira, maio 07, 2008

Manda quem pode, obedece quem tem juízo

Na quarta-feira à noite iria publicar esta postagem, mas faltou fôlego e tempo.
O Cláudio já adiantou o tema do valor da democracia, entretanto quero ressaltar alguns aspectos. Como já havia iniciado a postagem ela sai antes daquela publicada pelo Cláudio, embora tenha sido finalizada hoje 09/05.


"COMISSÕES / Infra-Estrutura

07/05/2008 - 14h20
Mentir sob tortura não é fácil, diz Dilma Rousseff
[Foto]

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, declarou nesta quarta-feira (7) que "mentir sob tortura não é fácil, porque agüentar a tortura não é fácil". Ela fez essa afirmação após o senador José Agripino (DEM-RN) lembrar que a ministra disse em uma entrevista que "mentia adoidado" nos interrogatórios realizados durante a ditadura militar.

- Isso faz parte de minha biografia e tenho orgulho disso - ressaltou ela, acrescentando que mentir foi necessário para salvar a vida de amigos.

Dilma recordou que foi torturada quando tinha 19 anos, "no auge da ditadura", e destacou que "a tentação de falar a verdade quando se está sob tortura é insuportável". Ela argumentou ainda que não se pode comparar o mesmo ato em situações tão diferentes como a da ditadura e a de uma sociedade democrática.

Agripino afirmou, ao recordar a entrevista da ministra, que "aqueles foram momentos muito tensos de sua vida [de Dilma]" e que, apesar de ser governador naquela época, ele próprio acabou rompendo com seu então partido, o PDS, para apoiar a transição para a democracia. No entanto, o senador frisou que citou o caso porque "podemos estar voltando ao Estado de exceção, com um Estado policialesco" capaz de produzir, por exemplo, o suposto dossiê sobre os gastos de Fernando Henrique Cardoso quando este era presidente da República.

- Esse dossiê é a volta ao regime de exceção. Representa o uso, pelo Estado, de informação privilegiada para pressionar alguém - declarou ele.

Ao responder a Agripino, Dilma argumentou que qualquer comparação entre a ditadura e a democracia "só pode partir de quem não dá valor à nossa democracia, pois o diálogo nessas situações não tem a menor similaridade".

- Não se dialoga com pau-de-arara ou choques elétricos - afirmou a ministra.

Ricardo Koiti Koshimizu / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)"

Comentário

O que se pode dizer do Sen. Agripino Maia?

Ao ler o teor das perguntas formuladas pelo senador e as respostas da ministra, ficou para mim a imagem dos coronéis ou dos senhores de engenho tão comuns no nordeste e em outras partes do Brasil (existem coronéis e oligarquias no Sul-primeiro-mundista(?) também!).
Mas, o sentimento que poderia ser de repúdio foi substituído pelo desprezo.
As palavras do senador revelam quanto ele é um homem pequeno. Pequeno no caráter. Pequeno nos valores que carrega. E não se trata de abrigar a sua fala no discurso que deve fazer a oposição. Não, de forma alguma.
Quando Maia defende que mesmo sob tortura uma pessoa não pode mentir, não pode ser fraca, revela que a força, a violência, é legítima por si só. Basta que você esteja do lado dela para estar certo, para estar do lado da verdade.
Nessa quarta-feira, o Senador Agripino Maia renovou seu credo no sistema do "manda quem pode, obedece quem tem juízo".


Na revista Caros Amigos do mês passado o jornalista Léo Arcoverde traça um perfil do senador potiguar: do Senador José Agripino Maia

Léo Arcoverde - Revista Caros Amigos

OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA

O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.


Do meio para o fim dos anos 1970, para fazer parte do grupinho oligárquico que havia duas décadas comandava a política do Rio Grande do Norte, uma condição era suficiente e necessária: aderir à estratégia de renovação do regime autoritário, preparando-se para a transição. Isto é, a bênção dos militares era mais que bem-vinda. O industrial Osmundo Faria, dono da salina Amarra Negra e de vasto latifúndio no agreste, estava para ser anunciado sucessor do governador Cortez Pereira (1971-1975). Não tinha experiência em cargo eletivo – era suplente do senador Dinarte Mariz. Mas contava com o apadrinhamento de ninguém menos que o ministro do Exército, general Dale Coutinho, ex-chefe da repressão no Nordeste. Era, no dizer do político gaúcho Leonel Brizola, o “filhote da ditadura” da vez.

confira mais nas bancas...


Clique aqui para acessar a íntegra da reportagem.



Nenhum comentário: