quinta-feira, junho 26, 2008

Sahrazad e as mil e uma noites


Fonte na qual beberam os maiores escritores, o Livro das mil e uma noites é resultado da tradição oral dos povos do oriente de contar histórias e se apresenta em dois ramos: o sírio e o egípcio.
A iniciativa do prof. Mamede Mustafa Jarouche permitiu que tivéssemos a primeira tradução para o português diretamente dos textos em árabe. O trabalho competente e minucioso realizado pelo prof. Jarouche comporá cinco volumes, dos quais já foram publicados três, pela editora Globo.
As histórias e os personagens são conhecidos do público em geral, seja pelas mãos de cineatas (Pasolini), de literatos, ou de teledramaturgos (Sítio do Pica-Pau Amarelo). Mas a narração do original sempre impressiona.
Boa leitura!

"Em nome de Deus, o Misericordioso, o Misericordiador
em quem está minha fé

Louvores a Deus, soberano generoso, criador dos homens e da vida, e que elevou os céus sem pilares, e estendeu as terras e os vales, e das montanhas fez colunas; que de secos rochedos fez a água jorrar; e que aniquilou os povos de Tamud e Ad, e também os poderosos faraós. Reverencio o altíssimo pela orientação com que nos agraciou, e louvo-lhe os méritos incomensuráveis.
E, agora, avisamos aos homens generosos e aos senhores gentis e honoráveis que a elaboração deste agradável e saboroso livro tem por meta o benefício de quem o lê: suas histórias são plenas de decoro, com significados agudos para os homens distintos; por meio delas, aprende-se a arte de bem falar e o que sucedeu aos reis desde o início dos tempos. Denominei-o de livro das mil e uma noites, que contém, igualmente, histórias excelentes, mediante as quais os ouvintes aprenderão fisiognomonia: não os enredará, pois, ardil algum. Este livro, enfim, também os levará ao deleite e à felicidade nos momentos de amargura provocados pelas vicissitudes da fortuna, encobertas de sedutora perversidade. E é Deus altíssimo quem conduz o acerto.
Disse o autor: conta-se - mas Deus conhece mais o que já é ausência, e é mais sábio quanto ao que, nas crônicas dos povos, passou, se distanciou e desapareceu - que havia em tempos remotos, no reino sassânida, nas penínsulas da Índia e da Indochina, dois reis irmãos, o maior chamado Sahriyar e o menor, Sahzaman. O mais velho, Shriyar, era um cavaleiro poderoso, um bravo campeão que não deixava apagar-se o fogo de sua vingança, a qual jamais tardava. Do país, dominou as regiões mais recônditas, e, dos súditos, os mais renitentes. E, depois de assenhorar-se do país e dos 'suditos, entronizou como sultão, no governo da terra de Samarcanda, seu irmão Shzaman, que por lá se estabeleceu, ao passo que ele próprio se estabelecia a Índia e na Indochina.
Tal situação se prolongou por dez anos, ao cabo dos quais Sahriyar, saudoso do irmão, mandou atrás dele seu vizir - o qual tinha duas filhas, uma chamada Shrazad, e a outra, Dinarzad. O rei determinou a esse vizir que fosse até Sahzaman e se apresentasse a ele. Assim, o vizir muniiu-se dos apetrechos necessários e viajou durante dias e noites até chegar a Samarcanda. Sahzaman saiu para recebê-lo acompanhado de membros da corte, descavalgou, abraçou-o e pediu-lhe notícias acerca do irmão mais velho, Sahriyar. O vizir informou-o de que seu irmão estava bem e que o enviara até ali a fim de conduzi-lo à sua presença. Sahzaman, dispondo-se a atender o pedido do irmão, instalou o vizir nas cercanias da cidade, abasteceu-o das provisões e do feno de que necessitava, sacrificou algumas reses em sua homenagem e presenteou-o com jóias e dinheiro, corcéis e camelos, cumprindo assim com suas obrigações de anfitrião. Durante dez dias, preparou-se para a viagem, e, deixando em seu lugar um oficial, arrumou as coisas e foi passar a noite com o vizir, junto ao qual permaneceu até bem tarde, quando então retornou à cidade, subindo ao palácio a fim de se despedir da esposa; ao entrar, porém, encontrou-a dormindo ao lado de um sujeito, um dos rapazes da cozinha: estavam abraçados. Ao vê-los naquele estado, o mundo se escureceu todo em seus olhos e, balançando a cabeça por alguns instantes, pensou: 'Isso e eu nem sequer viajei; estou ainda nos arredores da cidade. Como será então quando eu de fato tiver viajado até meu irmão lá na Índia? O que ocorrerá então depois disso? Pois é, não é mesmo possível confiar nas mulheres!'. Depois, possuído por uma insuperável cólera, disse: 'Deus do céu! Mesmo eu sendo rei, o governante da terra de Samarcanda, me acontece isso? Minha mulher me trai! É isso que se abateu sobre mim!'. E como a cólera crescesse ainda mais, desembainhou a espada, golpeou os dois - o cozinheiro e a mulher - e, arrastando ambos pelas pernas, atirou-os do alto do palácio ao fundo da vala que o cercava. Em seguida, voltou até onde estava o vizir e determinou que a viagem fosse iniciada naquele momento.
Tocaram-se os tambores e começou-se a viagem. No coração do rei Sahzaman, contudo, ardia uma chama inapagável e uma labareda inextinguível por causa do que lhe fizera a esposa: como pudera traí-lo, trocando-o por um cozinheiro, aliás simples ajudante na cozinha? Mas a viagem prosseguia célere: atravessando desertos e terras inóspitas por dias e noites, chegaram afinal à terra do rei Sahriyar, que saiu para recebê-los. Logo que os viu, abraçou o irmão, aproximou-o, dignificou-o e hospedou-o num palácio ao lado do seu: com efeito, o rei Sahriyar possuía um amplo jardim no qual construira dois imponentes, formosos e elegantes palácios, reservando um deles para a hospedagem oficial e destinando o outro para sua própria moradia e também para o harém. Hospedou, portanto, o irmão Sahzaman no palácio dos hóspedes, e isso depois que os camareiros já o haviam lavado, limpado e mobiliado, abrindo-lhe as janelas que davam para o jardim.
Sahzaman permanecia o dia inteiro com o irmão e em seguida subia ao referido palácio para dormir; mal raiava a manhã, dirigia-se de novo para junto do irmão. Mas, mal se via a sós consigo mesmo, punha-se a remoer os sofrimentos que o afligiam por causa da esposa, suspirava fundo, resignava-se melancolicamente e dizia: 'Mesmo eu sendo quem sou, aconteceu-me tamanha catástrofe'. Começava então a mortificar-se, amargurado, dizendo: 'O que me ocorreu não ocorreu a mais ninguém', e sua mente era invadida por obsessões. Diminuiu a alimentação, a palidez se acentuou e as preocupações lhe transtornaram o aspecto. Todo seu ser começou a dar para trás: o corpo definhava e a cor se alterava.
Disse o autor: vendo que seu irmão, dia a dia, se debilitava a olhos vistos, definhando e consumindo-se, cor pálida e fisionomia esquálida, o rei Sahriyar supôs que isso se deveria ao fato de estar ele apartado de seu reino e de sua gente, dos quais se encontrava como que exilado; pensou pois: 'Esta terra não está agradando o meu irmão; por isso, vou preparar um bom presente para ele e enviá-lo de volta a seu país', e, pelo período de um mês dedicou-se a lhe providenciar os presentes; depois, mandou chamá-lo e disse: 'Saiba, meu irmão, que eu pretendo correr com as gazelas: vou sair para caçar por dez dias e, ao retornar, farei os arranjos para a sua viagem de volta. Que tal ir caçar comigo?'. Respondeu-lhe: 'Irmão, opresso trago o peito, e turvo o pensamento. Deixe-me e viaje você, com a bênção e a ajuda de Deus'. Ao ouvir tais palavras, Sahriyar acreditou que, de fato, o irmão tinha o peito opresso por estar afastado de seu reino, e não quis forçá-lo a nada; por conseguinte, deixou-o e viajou com membros da corte e os soldados; penetraram numa região selvagem, onde demarcaram e cercaram o espaço para caçar e montar armadilhas.
Disse o autor: quanto a Sahzaman, depois que o irmão saiu para a caçada, ele ficou no palácio: olhando pela janela para a direção do jardim, observava pássaros e árvores e pensava na esposa e no que ela fizera contra ele; suspirou profundamente, o semblante dominado pela tristeza.
Disse o narrador: enquanto ele, assim absorto em seus pensamentos e aflições, ora contemplava o céu, ora percorria o jardim com olhar merencório, eis que a porta secreta do palácio de seu irmão se abriu, dela saindo sua cunhada: entre vinte criadas, dez brancas e dez negras, ela se requebrava como uma gazela de olhos vivos. Sahzaman os via sem ser visto. Continuaram caminhando até chegar ao sopé do palácio onde estava Sahzaman, a quem não viram: todos imaginavam que viajara na expedição de caça junto com o irmão. Assentaram-se sob o palácio, arrancaram as roupas e eis que se transformaram em dez escravos negros e dez criadas, embora todos vestissem roupas femininas: os dez agarraram as dez, enquanto a cunhada gritava: 'Mas ud! ó Mas ud!; então um escravo negro pulou de cima de uma árvore ao chão e imediatamente achegou-se a ela; abriu-lhe as pernas, penetrou entre suas coxas e caiu por cima dela. Assim ficaram até o meio do dia: os dez sobre as dez e Mas ud montado na senhora. Quando se satisfizeram e terminaram o serviço, foram todos se lavar; os dez escravos negros vestiram trajes femininos e misturaram-se às dez moças, tornando-se, aos olhos de quem os visse, um grupo de vinte criadas. Quanto a Mas ud, ele pulou o muro do jardim e arrepiou caminho. As vinte escravas, com a senhora no meio delas, caminharam até chegar à porta secreta do palácio, pela qual entraram, trancando-a por dentro e indo cada qual cuidar de sua vida.
Disse o copista: tudo o que ocorreu foi presenciado pelo rei Sahzaman.
Disse o autor: ao ver o procedimento da esposa de seu irmão mais velho, e discernir sobre o que havia sido feito - isto é, tendo observado essa atroz calamidade, essa desgraça que ocorria ao irmão dentro de seu próprio palácio: dez escravos em trajes femininos copulando, ali, com suas concubinas e criadas, além da cena da cunhada com o escravo Mas ud -, enfim, ao ver tudo isso, o coração de Sahzaman se libertou de aflições e transtornos, e ele pensou: 'Eis nossa condição! Meu irmão é o maior rei da terra, governante de vastas extensões, e isso despenca sobre ele em seu próprio reino, sobre sua esposa e concubinas: a desgraça está dentro de sua própria casa! Comparado a isso, o que me ocorreu diminui de importância, justo eu que imaginava ser a única vítima dessa catástrofe; estou vendo, porém, que qualquer um pode ser atingido! Por Deus, a minha desgraça é mais leve que a do meu irmão!. Depois, perplexo, pôs-se a censurar a fortuna, de cujas adversidades ninguém está a salvo. Estava assim esquecido de suas angústias e entretido com sua desgraça quando lhe trouxeram o jantar, que ele devorou com apetite e gosto; também lhe trouxeram bebida, que ele bebeu com igual vontade. Dissiparam-se as mágoas que trazia no pensamento, e ele, tendo comido, bebido e se alegrado, disse: 'Depois de ter padecido sozinho em razão dessa desgraça, agora me sinto bem'. E durante dez dias comeu e bebeu.
Ao retornar da caça, o irmão mais velho foi recebido por um Sahzaman alegre, que se dispôs a servi-lo com um sorriso no rosto. Estranhando aquilo, o rei Shriyar disse: 'Por Deus, meu irmão, que senti saudades de você durante a viagem! Eu queria mesmo é que você estivesse comigo'.
Disse o copista: Sahzaman agradeceu ao irmão e ficou conversando com ele até o crepúsculo, quando então lhes foi servido o jantar. Ambos comeram e beberam. Sahzaman bebeu com sofreguidão.
Disse o autor: e Sahzaman continuou pelos dias seguintes bebendo e comendo. Suas preocupações e obsessões se dissiparam, seu rosto se avermelhou, seu ânimo se fortaleceu: ele recobrou as cores e engordou, retomando e até mesmo melhorando sua condição inicial. Embora percebesse as mudanças que se operavam no irmão, o rei Sahriyar guardou aquilo no coração. Mas um dia, estando a sós com ele, disse: 'Meu irmão Sahzaman, eu quero que você me esclareça algo que trago cá na mente, e me liberte do peso que carrego no coração. Vou lhe fazer uma pergunta sobre um assunto e você deve responder a verdade'. Perguntou Sahriyar: 'Logo que chegou aqui e se hospedou comigo, notei que você dia a dia definhava a olhos vistos, até que seu rosto se alterou, sua cor se transformou e seu ânimo se debilitou. Como essa situação se prolongasse, julguei que semelhante acometimento se devia ao fato de você estar afastado dos seus parentes e do seu reino. Por isso, evitei indagar a respeito e passei a esconder as minhas preocupações de você, muito embora o visse definhar e se alterar mais e mais. Porém, depois que eu viajei para a caça e regressei, vi que a sua situação se consertou e sua cor se recobrou. Agora, eu gostaria muito que você me informasse sobre isso e me dissesse qual foi o motivo das alterações que o atingiram aqui no início e qual o motivo da recuperação de seu viço. E não esconda nada de mim'.
Disse o copista: ao ouvir as palavras do rei Sahriyar, Sahzaman manteve-se por alguns instantes cabisbaixo e depois disse: "Ó rei, quanto ao motivo que consertou o meu estado, eu não posso informar-lhe a respeito, e gostaria que você me poupasse de mencioná-lo". Muitíssimo intrigado com as palavras do irmão, que lhe atiçaram chamas no coração, o rei Sahriyar disse: 'É absolutamente imperioso que você me informe sobre isso. Agora, no entanto, fale-me sobre o primeiro motivo".
Disse o autor: então Sahzaman contou em pormenores o que lhe sucedera por parte da esposa na noite da viagem. Disse: 'Enquanto eu estava aqui, ó rei dos tempos, nos constantes mometos em que pensava na calamidade que minha esposa fizera abater-se sobre mim, era atingido por aflições, obsessões e preocupações. Meu estado então se alterou, esse foi o motivo'. E se calou. Ao ouvir a história, o rei Sahriyar balançou a cabeça, tomado de grande assombro por causa das perfícias femininas e, depois de ter rogado auxílio divino contra sua perversidade, disse: 'Por Deus, meu irmão, que você agiu da melhor maneira matando sua mulher e tal homem. Está justificado o motivo pelo qual você foi atingido por preocupações e obsessões, e por que seu estado se alterou. Não presumo que isso que lhe sucedeu tenha sucedido a qualquer outro. Juro por Deus que, se fosse eu, não me bastaria matar menos de cem mulheres ou mil mulheres; não, eu ficaria louco e sairia por aí alucinado. Porém agora, graças a Deus, como as suas preocupações e tristezas se dissiparam, deixe-me a par do motivo que desvaneceu as suas preocupações e o fez recobrar a cor'. Respondeu Sahzaman: 'Ó rei, eu gostaria que, por Deus, você me poupasse disso'. Disse Sahriyar: 'Mas é absolutamente imperioso'. Disse Sahzaman: 'Eu temo que você seja atingido por preocupações e obsessões bem mais graves que as minhas'. Disse Sahriyar: 'E como pode ser isso, meu irmão? Não, já não existe possibilidade de retorno: faço questão ouvir a história'.
Disse o autor: então o irmão menor lhe relatou o que vira através da janela do palácio, e a desgraça que ocorria em seu palácio - que dez escravos em trajes femininos dormiam entre suas concubinas e mulheres durante a noite e o dia, etc. etc., pois repetir agora toda a história seria perda de tempo - 'e ao ver a desgraça que se abateu sobre você, as preocupações por causa da minha própria desgraça se dissiparam, e eu disse de mim para mim: 'mesmo sendo meu irmão o maior rei da terra sucedeu-lhe tamanha desgraça dentro de sua casa'. Foi assim que me libertei das preocupações e desapareceu aquilo que no peito eu carregava; reconfortei-me, comi e bebi. Eis o motivo de minha alegria e da recuperação de minha cor'.
Disse o autor: ao ouvir as palavras do irmão sobre o que estava ocorrendo em seu palácio, o rei Sahriyar ficou terrivelmente encolorizado, a tal ponto que quase começou a pingar sangue. Depois disse: 'Meu irmão, só acreditarei no que você disse se eu vir com meus próprios olhos para acreditar em mim, então arme uma nova expedição de caça; sairemos eu e você com os soldados, e quando estivermos acampados fora da cidade deixaremos nossos pavilhões, tendas e soldados como estiverem e retornaremos, eu e você, secretamente à cidade. Você subirá comigo até o palácio e poderá então ver tudo com seus próprios olhos'.
Disse o autor: o rei reconheceu que a proposta de seu irmão era correta. Ordenou aos soldados que se preparassem para viajar e permaneceu com o irmão naquela noite. Quando Deus fez amanhecer o dia, os dois montaram em seus cavalos, os soldados também montaram o pavilhão real e seu vestíbulo. E o sultão e seus soldados se instalaram. Ao anoitecer, o rei enviou uma mensagem ao seu secretário-mor ordenando-lhe que ocupasse seu lugar e que não deixasse nenhum dos soldados entrar na cidade durante três dias, bem como outras instrucões relativas aos soldados.
Ele e o irmão se disfarçaram e entraram na cidade durante a noite, subindo ao palácio no qual Sahzaman estava hospedado. Ali dormiram até a alvorada, quando então se postaram na janela do palácio e ficaram observando o jardim. Conversaram até que a luz do dia se irradiou e o sol raiou. Olharam para a porta secreta, que fora aberta e da qual saiu a esposa do rei Sahriyar, conforme o hábito, entre vinte jovens; caminharam sob as árvores até chegar ao sopé do palácio em que ambos estavam, tiraram as roupas femininas, eis que eram dez escravos que se lançaram sobre as dez jovens e as possuíram. Quanto à senhora, ela gritou: 'ó Mas ud! ó Mas ud!', e eis que um escravo negro pulou ligeiro de cima de uma árvore ao chão; encaminhou-se até ela e disse: 'O que você tem, sua arrombada? Eu sou Sa duddin Mas ud!' Então a mulher riu e se deitou de costas, e o escravo se lançou sobre ela e nela se satisfez, bem como os outros escravos. Em seguida, os escravos levantaram-se lavaram-se, vestiram os trajes femininos que estavam usando e se misturaram às moças, entrando todos no palácio e fechando a porta. Quanto a Mas ud, ele pulou o muro, caiu na estrada e tomou seu rumo.
Disse o autor: em seguida, ambos desceram do palácio. Ao ver o que sua esposa e criadas lhe faziam, o sultão Sahriyar ficou transtornado e disse: 'Ninguém está a salvo neste mundo. Isso ocorre dentro de meu palácio, dentro de meu reino. Maldito mundo, maldita fortuna. Essa é uma terrível catástrofe'. E, voltando-se para o irmão, disse: 'Você me acompanha no que eu vou fazer agora?'. O irmão respondeu: 'Sim'. Sahriyar disse: ' Vamos abandonar nosso reino e perambular em amor a Deus altíssimo. Vamos desaparecer daqui. Se por acaso encontrarmos alguém cuja desgraça seja pior do que a nossa, voltaremos; caso contrário, continuaremos vagando pelo mundo, sem necessidade alguma de poder. Disse Sahzaman: 'Esse é um excelente parecer. Eu vou acompanhar você'."
(Continua em uma próxima postagem)

Um comentário:

kid98 disse...

Que pena! Estava curtindo Sahrazad e as mil e uma noites.Vais concluir a história?