quarta-feira, julho 09, 2008

Jurisespetacularização, em cinco atos.


1º ato. Ontem o portal G1 publicou isso aqui:
Além de crimes financeiros, Daniel Dantas é acusado de corrupção. O delegado federal Victor Hugo Rodrigues Alves relatou recentemente à Justiça de São Paulo que recebeu proposta de US$ 1 milhão para deixar de fora das investigações Daniel Dantas e parentes dele.
Por isso, o juiz Fausto de Sanctis autorizou a monitoração de telefonemas e encontros entre o delegado e os dois homens que se apresentaram como emissários do banqueiro. Os dois foram destacados para oferecer propina em troca de tranqüilidade para Daniel Dantas.
São eles: Humberto José da Rocha Braz, também conhecido por Guga, assessor de Daniel Dantas, que foi diretor da Brasil Telecom, empresa que pertenceu ao Grupo Opportunity; e Hugo Sérgio Chicaroni, amigo de Guga, contratado para se aproximar dos delegados que investigam o Opportunity.
Para conseguir provas, os delegados simularam que aceitariam o suborno. E a propina foi, então, parcelada. No primeiro pagamento, foram R$ 50 mil. Depois, mais R$ 79 mil. O restante do dinheiro da corrupção seria pago ainda esta semana.
Em um dos encontros gravados pela policia federal, Hugo Chicaroni disse ao delegado: "A preocupação de Daniel Dantas seria apenas com o processo na primeira instância, uma vez que no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) ele resolveria tudo com facilidade."
(para ler no G1)

2º ato. logo depois o site "Consultor Jurídico" destacava o comentário do presidente do STF, Gilmar Mendes, sobre a operação policial:

Para o presidente do STF, a operação “dificilmente” é compatível com o Estado de Direito. “De novo é um quadro de espetacularização das prisões” (mais aqui).


4º ato. Na verdade também acho que faltou calma ao site Consultor Jurídico na escolha da manchete do texto em que relata as prisões (vejam, não se trata de artigo de opinião, mas "jornalistico"): "operação espetáculo: espetacularização de prisões afeta Estado de Direito". Já o Paulo Henrique Amorim acha o Consultor Jurídico não é chegado em caldo de galinha.

5º ato. Do jornalista Bob Fernandes, lá no Terra Magazine, sobre a operação Satiagraha:

PF viveu guerra e espionageminternas para prender Daniel Dantas.
A Polícia Federal se dividiu e viveu uma fratricida luta interna em torno das investigações que levaram à prisão do banqueiro Daniel Dantas. O delegado Protógenes Queiroz, indicado pelo ex-diretor da PF Paulo Lacerda para conduzir a Operação Satiagraha, perdeu condições logísticas e chegou a ser afastado da ação policial. O diretor geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, até as vésperas da prisão não tinha acesso às informações nucleares. Uma rede subterrânea e secreta atuou a favor do delegado Protógenes Queiroz.
A imagem: "Artistas de Circo", óleo sobre tela, Georges Seurat, 1891.

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