segunda-feira, julho 12, 2010

Menos sal e mais sabor











Reproduzo matéria da Agência Brasileira de Notícias:




"18:19
11/07/2010

Campanha pretende reduzir consumo de sal no país

Daniel MelloRepórter da Agência Brasil
São Paulo - A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) está realizando uma campanha para reduzir o consumo de sal no país. O produto consumido em excesso agrava o estado de saúde dos hipertensos e pode causar complicações, como derrames. De acordo com a entidade, a hipertensão atinge cerca de 30% da população.
Segundo o diretor de Promoção Social da SBC, Dikran Armaganijan, uma das medidas defendidas pela entidade é a mudança nos rótulos dos alimentos industrializados, que deveriam substituir o termo cloreto de sódio pelo nome popular: sal.
Uma pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, promovida com pacientes hipertensos atendidos no Hospital Dante Pazzanese, constatou que 93% deles simplesmente desconhecem a diferença entre sal e cloreto de sódio.
Armaganijan destacou ainda que a quantidade de sódio precisa ser multiplicada por 2,5 para corresponder ao total de sal presente no alimento. Para o médico, essa alteração nos rótulos é importante devido a grande quantidade de sal presente nos alimentos industrializados. “A indústria brasileira mantém uma quantidade excessiva de sal nos alimentos. E nós, brasileiros, não estamos acostumados a ler a composição dos produtos.”
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu novas normas para as propagandas dos produtos com grande quantidade de açúcar, sódio e gordura saturada ou trans (gordura vegetal que passa por um processo de hidrogenação natural ou industrial). As empresas têm seis meses para apresentar alertas nas propagandas sobre os riscos do consumo excessivo.
A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) reagiu à determinação da Anvisa e prometeu questionar a resolução judicialmente. Segundo a entidade, o consumo excessivo de alimentos possivelmente prejudiciais “é muito mais reflexo dos hábitos alimentares da população do que da composição dos produtos industrializados”.
Além de pressionar a Anvisa sobre a necessidade das mudanças nos rótulos dos alimentos, a SBC vem promovendo várias ações de conscientização. Um exemplo são os dias temáticos de combate à hipertensão, onde os médicos medem a pressão da população em locais públicos e alertam sobre os perigos da pressão alta. “Eu acho que essas comunicações constantes devem alertar a população a se interessar um pouquinho mais”, disse Armaganijan.
Edição: Andréa Quintiere"
Curioso esse argumento da ABIA que destaquei no texto.
Quer dizer então que a população brasileira é que tinha o hábito, secular, de consumir sal em excesso e a indústria só teve de se adaptar à demanda?
Pena que não estou com o clássico de Câmara Cascudo sobre a história da alimentação no Brasil. Queria ver se algumas coisas batiam. Por exemplo: a feijoada enlatada, a sardinha enlatada. Sem falar nos condimentos: extrato de tomate, molho de tomate, etc. Todos eles levam sal. 
Pra quem frequenta as prateleiras dos supermercados não é muito difícil comparar o quão barato é um kilograma de sal em relação a uma latinha de extrato de tomate.
Quanto mais sal, menos tomate preciso colocar pra fazer essa excrecência que é o extrato de tomate. Quanto mais sal, menos sabor de extrato (que significa resumo; nesse caso resíduo).
Penso que a indústria alimentícia deveria ser submetida à mesma exigência feita pela Vigilância Sanitária aos bares e restaurantes: mostrar a sua cozinha. Isso, dar acesso ao seus consumidores dos detalhes da produção e manipulação dos alimentos. É só colocar um canal no Youtube. Se o problema é o hábito alimentar dos consumidores não há porque temer essa transparência.
Queria ver se os consumidores de Nugets continuariam a comprar esse outro tipo de "comida" que se encaixa na categoria de extrato. Ou se os consumidores das lazanhas congeladas gastariam R$ 10,00 por meio quilo de amontoado de pasta de 20ª categoria com uns "molhos" sintéticos com aroma de "bolonhesa, quatro queijos, funghui".
Em tempo, os refrigerantes tb seriam um espetáculo à parte. Vcs já verificaram a quantidade de sal que tem numa garrafa de Coca Zero, por exemplo? Isso, ela é Zero de açúcar mas tem 0,03% de sal. Pimba!!!
A indústria alimentícia esperneia porque sempre teve trânsito livre pra produzir o que bem quer e como bem quer.
Qualquer restrição que surja é um escândalo. Surgem até ameaças econômicas: geramos tantos mil empregos, nosso faturamento bruto é de tantos bilhões, etc.
Sugiro, ao final, pra todos o filme "Supersizeme" que mostra os trinta dias de um jovem de 30 anos que decide saber quais os efeitos para o seu corpo se passasse a comer somente os pratos oferecidos pelo "menu" do Mac Donald's. É um bom alerta para a nova classe média que será alvo da idiotização promovida pela indústria alimentícia.

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