segunda-feira, março 26, 2007

O segredo do Banco Central III

Vejam o post de Luis Nassif em seu blog, comentando o caso:
BC e a opinião pressionadaA parte mais grave da reportagem da Márcia Pinheiro sobre os encontros furtivos entre Banco Central e mercado, na CartaCapital desta semana, é a tentativa dos diretores de pressionar os recalcitrantes a aderir a suas análises. A lógica do sistema de metas inflacionárias é o BC periodicamente captar as expectativas do mercado para balizar sua política. Hoje em dia, qualquer analista técnico, sênior de mercado admite que o BC está errando fragorosamente na definição da taxa Selic; que esse erro é o principal responsável pela apreciação cambial, mesmo com a compra de dólares. Esse consenso está sendo formado, embora apenas alguns analistas ousem explicitar a opinião, por evidente receio de afrontar o órgão regulador. Em uma reunião recente, um desses analistas, após uma competente explanação desses erros, pediu para que se nome não fosse mencionado, porque não queria perder o emprego. Não significa que o BC ameace diretamente os recalcitrantes, mas que ele, por suas próprias funções, intimida as críticas do mercado, porque não se limita a definir política monetária, mas é agente de fiscalização, de regulação. Quando vem o diretor do BC e admoesta na reunião os analistas com posições críticas, está claramente ordenando ao mercado que não ouse questionar suas decisões. Mata a crítica, mata o feed-back que deveria orientar sua política. E todo esse movimento visa, em última instância, perpetuar seu poder de praticar juros exorbitantes, agora não apenas questionados pelos críticos de fora do mercado, mas pelo próprio mercado. Os detalhes da reunião se constituem em uma acusação gravíssima. Não apenas pela reunião em si, mas pelos métodos persuasórios descritos na reportagem.

Acesse o comentário no sítio do Nassif aqui.

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