segunda-feira, maio 19, 2008

O nó cego dos juros do BC


Estava, há tempos, em busca de uma boa e sucinta explicação sobre a política de juros do Banco Central. Por várias vezes li o Delfin Neto dizer que aumentar juros não controla a inflação, mas não conseguia compreender o que motivava o BC a manter as mais altas taxas de juros do mundo.
A postagem que reproduzo abaixo, copiada do blog do Luis Nassif, me parece elucidar o que está por trás das decisões do comitê de política monetária. Decisões estas, inclusive, tomadas por um órgão colegiado que não dá publicidade aos votos de cada um de seus membros.
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O BC e o swap reverso

Por Paulo

Em seu livro, você muito nos revelou uma grande jogada financeira que ocorreu no início do P Real. Na atual gestão do BC está ocorrendo uma jogada muito maior. É a maior jogada da nossa história e uma das maiores do mundo.

A valorização cambial e de juros tem sido utilizada para gerar grandes lucros nos mercados de derivativos, principalmente nos swaps reversos que o BC tão "inocentemente" vende e recorrentemente perde. Essas perdas ficaram camufladas no grande prejuízo do BC em 2007, que foi “explicado” rapidamente apenas pela valorização cambial.

Dentro desse prejuízo há muitas fontes de receitas e despesas, entre elas os swaps reversos. São muitos bilhões envolvidos que podem explicar entre outras coisas porque a taxa de juros no Brasil é tão alta e porque há tanta oposição ao fundo soberano.

A grande razão para a proposição do fundo soberano no Brasil é dar à Fazenda um pouco do controle que o BC exerce sobre o câmbio. I.e., dar à Fazenda poder para impedir ou reduzir a contínua desvalorização do dólar. E por isso que há grande resistência do BC. Ele não quer perder o controle sobre a definição de quem ganha e quem perde, por exemplo, nos contratos de swaps reversos. Ele faz isso controlando ao mesmo tempo o câmbio, os juros e a própria oferta desses swaps.

São bilhões, mas é como tirar doce de criança. Não querem que um governo com prioridades políticas interfira nos bons negócios do DEMAB. No DEMAB só há tubarões, capatazes, cegos e surdos."


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